Lençóis Paulista ? A Polícia Civil de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) está investigando o que pode ter provocado a morte de milhares de abelhas, no final de abril, em uma propriedade na zona rural da cidade. O apicultor responsável pelas colmeias acredita em envenenamento pelo uso de agrotóxicos nas lavouras de cana-de-açúcar da região. Amostras de mel e abelhas mortas foram enviadas ao Instituto de Criminalística (IC). O resultado das análises deve ficar pronto em trinta dias.
O professor Celso Eduardo Jacon conta que cria abelhas europeias e meliponinas (sem ferrão) numa propriedade às margens da rodovia Osni Mateus (SP-261), a cerca de três quilômetros do Centro de Lençóis, para efeitos de pesquisa e produção de mel. Em abril, segundo ele, sem nenhuma razão aparente, as abelhas começaram a morrer e ele perdeu cerca de dez colmeias. "Todas as abelhas do apiário que eu tinha aqui próximo a Lençóis morreram", conta.
De acordo com ele, a mesma situação foi relatada por colegas seus que também criam abelhas em propriedades próximas. Na região, ele estima que cerca de 40 colmeias tenham sido extintas em apenas uma semana, o que representa uma média de seis milhões de abelhas. Um boletim de ocorrência de dano foi registrado na delegacia da cidade no dia 29 de abril e, agora, ele aguarda laudo do Instituto de Criminalística sobre as causas da morte das abelhas.
"Eu quero saber (a causa) porque quero informar outros apicultores para que eles não tenham o mesmo problema. Pode ser que eu esteja enganado, mas tudo indica ? e eu tenho motivos para acreditar ? que elas foram envenenadas por defensivos que são usados em canaviais", diz. "Eram todos enxames produtivos, alguns tinham mel". Jacon também teme pela qualidade do mel produzido pelos insetos que, na avaliação dele, também pode estar contaminado.
O professor revela que chegou a denunciar o fato à diretoria de Agricultura e Meio Ambiente de Lençóis, que comprometeu-se a apurar o que poderia ter ocorrido. "Ficaram de me dar retorno, mas não deram", afirma. "A apicultura é uma classe que parece estar sendo extirpada. Se nós não nos unirmos, nós vamos ser extintos". A reportagem do Jornal da Cidade também entrou em contato com a pasta, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, mas não obteve retorno.
A delegacia de polícia do município confirmou que encaminhou as amostras de mel e abelhas mortas para o IC, na capital, e que aguarda o resultado do laudo pericial do órgão para dar prosseguimento às investigações. Segundo a polícia, ele deverá ficar pronto em trinta dias.
Morte de abelhas em Iacanga
Em agosto do ano passado, apicultores da região de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) detectaram a morte de 250 colmeias em diversas fazendas. Até o final do ano, foram contabilizadas cerca de 8 milhões de abelhas mortas, que resultaram em prejuízos estimados em R$ 50 mil. O caso foi denunciado ao Jornal da Cidade pelo presidente da Associação Bauruense de Apicultores Meliponicultores e Ambientalistas (Abama), Guilherme Carlos de Oliveira Telles Nunes.
A suspeita, segundo ele, era de que as abelhas tivessem morrido em decorrência de contaminação por Fipronil, agrotóxico de uso controlado ? conhecido como Regent ? que não pode ser aplicado em citrus, mas estaria sendo utilizado em plantações de laranja nas imediações das propriedades onde ficavam as colmeias. O caso também foi denunciado na delegacia de polícia de Iacanga, Polícia Ambiental e Casa da Agricultura da cidade.
No dia 17 de agosto, três produtores contrataram o advogado Alexandre Abdala, que levou o caso à Promotoria de Justiça de Ibitinga. Por meio de ação cautelar, Abdala conseguiu autorização para que fossem colhidas amostras da plantação de laranja de uma fazenda onde um funcionário teria confirmado o uso do Fipronil na florada da fruta. Análises feitas por laboratório de Piracicaba confirmaram a presença do agrotóxico na plantação.
No início do ano, o delegado de Iacanga, Doniseti José Pinezi, concluiu as investigações sobre o caso e relatou o inquérito ao Juízo de Ibitinga pedindo a responsabilização do dono da propriedade onde foi aplicado o Regent por crime ambiental. Em depoimento, ele negou ter utilizado o produto no laranjal, mas o delegado ressaltou que se baseou em laudos documentais e testemunhais para solicitar sua condenação.