Polícia

Agressão a aluna causa pânico em escola

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

A Escola Estadual Stela Machado virou "campo minado" ontem com o boato de que haveria um acerto de contas na escola em represália à agressão sofrida no dia anterior por uma adolescente de 14 anos (leia ao lado). Temendo pela segurança dos estudantes, vários pais foram buscar seus filhos, ou nem os mandaram para a sala de aula.

A Ronda Escolar esteve de prontidão, assim como a diretora e seu vice para contornar a repercussão de uma briga que ocorreu na praça de frente ao colégio. A reportagem do JC presenciou uma conversa acalourada de uma responsável por aluno que insistia com a direção pela liberação dele. O impasse se instalou porque a direção da escola só pode autorizar a dispensa de aluno devidamente acompanhado pelos pais ou por responsável autorizado. Como os pais trabalham, recorreram a familiares na circunstância emergencial. Os ânimos estavam exaltados, porém, a tal revanche, que seria protagonizada pelo pai de uma estudante, não ocorreu.

O sentimento de pais e responsáveis pelos alunos era de insegurança pelos inúmeros casos de violência fora e dentro de escolas Brasil afora, como o massacre de estudantes em Realengo, no Rio de Janeiro. No dia 7 de abril último, o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira e matou a tiros 12 e feriu mais 12 alunos.

No Stela Machado, o fato de circular que a aluna levou tesouradas e o pai dela prometeu revanche causou pânico. Luciana Cristina da Silva Cordeiro, tia de um estudante da 6ª série do Stela, argumentou que foi buscar o garoto porque a mãe estaria trabalhando.

"Vim buscar meu sobrinho porque disseram que ontem (anteontem) uma aluna foi esfaqueada na porta da escola e que vão invadir a escola. E a diretora não quer liberar as crianças nem para tias. Minha vizinha passou mal e meu filho está aí e não querem liberar", conta.

Em uma nota enviada ao JC pela assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação, a Diretoria Regional de Ensino de Bauru lamentou a agressão ocorrida anteontem do lado de fora do Stela Machado.

A nota esclarece que a aluna foi imediatamente conduzida ao pronto-socorro. A Diretoria cita, no pronunciamento, que o caso está sendo investigado pela polícia. "Vale salientar que os agressores não eram estudantes da escola e fugiram após o ato."

De acordo com o pronunciamento, o caso também foi encaminhado ao Conselho Tutelar e a direção da unidade solicitou ao órgão que seja fornecido acompanhamento psicológico à estudante, que por decisão da família, não compareceu à escola ontem.

A Diretoria Regional ressalta que o incidente está sendo acompanhado pela professora-mediadora que atua no Stela Machado. "A docente está em contato com a aluna e desenvolverá com ela trabalhos sociopedagógicos a fim de garantir a sua plena reintegração e a continuidade das atividades escolares", frisa, a respeito de um acompanhamento que será feito à aluna.

?Sob controle?


A nota prossegue amenizando o clima de apreensão vivido no colégio. Cita que, em relação às ameaças, a direção solicitou o reforço da Ronda Escolar, que durante todo o dia de ontem, manteve oficiais de prontidão nas imediações da instituição. Nenhuma aula foi suspensa.

"É importante ressaltar que a escola desenvolve regularmente ações preventivas contra a violência e pela cultura de paz por meio do Sistema de Proteção Escolar. O programa, implantado pela Secretaria de Estado da Educação em 2009, reúne um conjunto de ações, métodos e ferramentas que visam disseminar e articular práticas voltadas à prevenção de conflitos, à integração entre a escola e a rede social de garantia dos direitos da criança e do adolescente e à proteção da comunidade escolar e do patrimônio público."

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Garota se recupera e os
pais cobram segurança


O pai da estudante de 14 anos vítima de tesouradas na frente do Stela Machado diz que só ficou sabendo da agressão, ocorrida às 12h45, mais de três horas após o fato. Ele garante que só foi avisado por uma amiga da filha, enquanto sua esposa foi avisada em seu emprego, por volta das 15h, pela assistência social do Pronto-Socorro Central.

A adolescente não corre risco de morte, foi medicada e liberada. Contudo, conforme o pai, teve sorte de não ter um dos pulmões perfurados devido a um golpe de tesoura na região da barriga. Segundo ele, os golpes de tesoura teriam provocado um corte na cabeça, um no pescoço próximo ao ombro, um no rosto e um próximo de uma orelha. "No rosto, ela levou quatro pontos. Na barriga, não levou ponto porque só perfurou. Mas a mulher, lá no pronto-socorro, falou para ela que quase perfurou o pulmão", detalha.

A versão dos familiares para a agressão da adolescente é que duas meninas simulavam uma briga e, de repente, começaram a agredir sua filha, que estaria perto. "Nem ela sabe dizer porque aconteceu isso", acrescenta o pai.

A estudante agredida foi socorrida ao PS por uma mulher que estava nas proximidades. "Essa pessoa pediu para a diretora chamar o Samu."

Ele conta que, na noite de anteontem, esteve na escola para se inteirar do que exatamente havia ocorrido. O pai afirma que não fez nenhuma ameaça. "Eles não nos comunicaram e nem ligaram na casa da minha sogra. Foi isso que fui questionar e não fui agredir e nem ameaçar ninguém na escola", completa.

O pai conta que a filha foi suspensa por três dias da aula recentemente e foi comunicado a comparecer no Stela Machado. Como nenhum dos pais pôde estar presente, a filha mais velha do casal foi representá-los. No entanto, a direção da escola não teria aceito a interlocução.

A família da estudante registrou boletim de ocorrência por lesão corporal e contratou um advogado para acompanhar o caso.

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