Saúde

Sem idade para doar


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O Ministério da Saúde ampliou a faixa etária para a doação de sangue. Idosos com até 68 anos e jovens a partir de 16 anos podem doar sangue. Os menores de idade podem se tornar voluntários desde que com o consentimento dos pais ou responsáveis legais. Atualmente, a idade permitida é de 18 a 65 anos.

Com a ampliação da idade, o governo espera aumentar das atuais 3,5 milhões para 4 milhões de doações por ano. De acordo com o ministério, o volume de sangue coletado é considerado suficiente, porém a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda volume para a manutenção do estoque ? aproximadamente 5,7 milhões de bolsas de sangue.

O ministério alterou a faixa etária com base em estudos internacionais e a adesão de outros países, como os Estados Unidos. A intenção é passar de 1,9% para 2,1% da população até 2012. A recomendação da OMS é que de 1,5% a 3% da população doe sangue. Os jovens entre 18 e 29 anos representam 46% dos doadores no Brasil.

Quem quiser doar sangue, deve procurar um hemocentro munido de um documento de identidade com foto. O candidato deve apresentar boa saúde e pesar mais de 50 quilos. No dia da doação, é recomendado não estar em jejum, repouso de seis horas na noite anterior, não ingerir bebida alcoólica nas 12 horas antecedentes, e evitar fumar por duas horas e comer alimentos gordurosos.

Não podem doar pessoas que tiveram hepatite após os 10 anos de idade, grávidas ou mulheres em fase de amamentação, usuários de drogas, pessoas expostas a doenças transmissíveis pelo sangue (aids, hepatite, sífilis e Doença de Chagas) ou que mantiveram relação sexual com diversos parceiros nos últimos doze meses.


Orientação sexual


Uma portaria publicada no último dia 14 pelo Ministério da Saúde determina que os hemocentros não devem colocar a orientação sexual como critério para selecionar doadores de sangue. No entanto, na prática, homossexuais e bissexuais continuam a ser considerados inaptos a doar sangue. As informações são da Agência Brasil.

De acordo com a portaria, a orientação sexual (heterossexual, homossexual e bissexual) não deve ser usada como critério para selecionar candidatos a doar sangue "por não constituir risco em si própria". "Não deverá haver, no processo de triagem e coleta de sangue, manifestação de preconceito e discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, hábitos de vida, atividade profissional, condição socioeconômica, raça, cor e etnia", diz material distribuído pela pasta.

No entanto, homem que tenha feito sexo com outro homem (HSH) nos últimos 12 meses continua impedido de doar sangue. O argumento é que o risco de contágio pelo vírus HIV nesse grupo é maior em comparação aos heterossexuais. "Todos os nossos estudos recentes ainda mostram que o risco de homem que fez sexo com homem é 18 vezes maior de ter infecção pelo HIV do que a população que não tem esse tipo de atividade sexual. Esse risco aumentado faz com que se exclua homens que tenham feito sexo com homem nos últimos 12 meses", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao participar das comemorações ao Dia Mundial do Doador de Sangue.

A restrição está prevista em legislação desde 2004 e também engloba heterossexuais que tenham tido relação sexual com mais de um parceiro no mesmo período. Não há impedimento para as lésbicas.

A restrição é alvo frequente de críticas por parte de entidades em defesa dos direitos dos homossexuais. Desde 2006, o Grupo Matizes, do Piauí, tenta na Justiça derrubar o impedimento. Apesar de a proibição permanecer aos homens gays, a diretora da organização, Marinalva Santana, considera que a Portaria 1.353 é positiva por levantar a questão da orientação sexual na hora de doar sangue. "É a primeira vez que se coloca de forma bem explícita a orientação sexual. Na legislação anterior, a orientação sexual era por si só excludente", disse à

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No Brasil, 1,9% da população doa sangue regularmente, diz pesquisa

Dados do Ministério da Saúde indicam que 1,9% dos brasileiros doa sangue regularmente. A taxa está dentro do parâmetro de 1% a 3% definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas, de acordo com a pasta, ainda precisa melhorar. As informações são da Agência Brasil.

Nadson Leandro, 28 anos, doa sangue para ajudar os que mais precisam. "Penso assim: se eu não doar, é menos uma vida que poderia estar salvando. Não me custa nada tirar um dia de trabalho para fazer um gesto de amor", contou o vendedor.

Para Maria da Conceição, 43 anos, toda pessoa com a saúde em dia deveria doar sangue regularmente. Doadora voluntária há mais de dez anos, a secretária também destacou como maior motivador a ajuda ao próximo. "Deveria existir uma lei que obrigasse todo cidadão a doar sangue", cobrou.

O universitário Gabriel Carlos Mendes, 21 anos, foi a um Hemocentro pela primeira vez esta semana para ajudar uma tia internada e com cirurgia marcada. Depois da doação, ele garantiu que vai repetir o gesto a cada seis meses. "Foi muito significativo. Aprendi que doar sangue é salvar vidas", disse.

O ministério orienta que o doador não esteja em jejum, tenha dormido pelo menos seis horas e não tenha ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação. É necessário também evitar o cigarro por pelo menos duas horas e o consumo de alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação.

Não podem doar sangue pessoas que tiveram diagnóstico de hepatite após os 10 anos de idade; mulheres grávidas ou amamentando; pessoas expostas a doenças transmissíveis pelo sangue como aids, hepatite, sífilis e doença de chagas; usuários de drogas; e pessoas que tiveram relacionamento sexual com parceiro desconhecido ou eventual sem uso de preservativos.

Mais segurança


O Ministério da Saúde quer implantar o teste NAT (sigla em inglês para Teste de Ácido Nucleico) em todos os hemocentros até o fim do ano para tornar mais segura a transfusão de sangue no País. A meta foi anunciada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Com o teste em uso, o ministro prevê que o período de restrição para doar poderá ser alterado. As informações são da Agência Brasil.

O NAT reduz a janela imunológica, que é o período de tempo em que uma pessoa é contaminada e não é detectada pelos exames feitos na hora de doar sangue. Com o teste, o intervalo de detecção do vírus HIV cai de 21 para dez dias e, no caso de hepatite C, de 70 para 21 dias.

Produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o teste já está sendo usado em São Paulo, Pernambuco, Santa Catarina e no Rio de Janeiro ? aplicado em 200 mil amostras de sangue. O Distrito Federal e Minas Gerais são as próximas unidades da Federação a recebê-lo.

Com a adoção do NAT em todo o país, Padilha acredita que as restrições para doar sangue poderão ser revistas, como, por exemplo, pessoas que tiveram relação sexual com diversos parceiros nos últimos 12 meses são consideradas inaptas para doação de sangue.

Para a responsável pela área de hemoterapia do ministério, Jane Martins, uma revisão das normas atuais será possível somente dois anos após a implantação nacional do NAT, tempo suficiente para colher resultados sobre o uso do teste.

Apesar de o exame tornar mais confiável o sangue usado em transfusões, Jane alerta que os voluntários devem seguir a risca as normas para doar sangue, como não realizar a doação quando apresentar sintomas de uma doença. "Não existe nenhum teste que é 100% seguro", disse. Por ser fabricado no país, o teste sai por US$ 6, enquanto o importado custa US$ 25.

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