A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru e da delegacia de Agudos, prendeu um homem acusado de roubar cerca de R$ 60 mil em joias, no último dia 25, de um comerciante em Bauru. O curioso foi que o assaltante somente foi identificado por ter comprado, com o cartão roubado da vítima, um descongestionante nasal, do qual faz uso frequente.
Na ocasião do crime, a vítima, que é um vendedor de joias, foi atraída para uma armadilha na rua Lincoln Queiroz Orsini, no Jardim América. Ao chegar, foi surpreendido por dois homens, um deles armado de revólver, e trancado no porta-malas durante cerca de três horas. Após um disparo feito em tom de ameaça, o comerciante teve que entregar toda sua mercadoria, avaliada em R$ 60 mil.
Antes de abandonarem o homem em um canavial em Agudos, os bandidos rodaram por toda a região e, com o cartão bancário e as senhas da vítima, fizeram uma compra simulada - aquela em que se passa o cartão e pega a quantia em dinheiro - em um mercado em Agudos e compraram objetos em uma farmácia, em Pederneiras.
Foi exatamente neste ponto que as investigações se concentraram. Além de comprarem perfumes e brincos, eles levaram um descongestionante nasal. Apesar de não possuir passagem pela polícia, as investigações e os arquivos apontaram que José Eduardo Campos de Souza, 25 anos, morador de Agudos, fazia uso frequente do determinado remédio.
Em posse de um mandado de busca e apreensão, os policiais foram até a residência do suspeito e encontraram tanto o perfume que foi comprado na farmácia quanto o remédio, cujo lote comprovava ser o mesmo adquirido no dia do crime. As imagens de vídeo da farmácia também ajudaram na identificação.
"Na última sexta-feira, após as vítimas terem reconhecido o suspeito por meio de fotografias, conseguimos, junto com policiais de Agudos, prender ele em Mombuca, cidade próxima de Piracicaba, onde possui parentes. Ele foi detido dentro de uma agência bancária, onde retirava dinheiro provavelmente para continuar a fuga", conta o delegado da DIG, Cledson Luiz do Nascimento.
Ainda de acordo com o delegado, foram encontrados com José Eduardo de Souza um dos aneis que haviam sido roubados e uma pulseira.
Informação privilegiada
Ele acabou confessando o crime e indicou que uma parte das joias estava escondida próximo a um ralo de sua residência, em Agudos. No local, os policiais encontraram outras 15 peças roubadas. "Ele disse que o restante foi vendido a um estabelecimento de compra de ouro em Campinas. O local já é fichado por receptação, entretanto, não conseguimos recuperar esse restante", completa o delegado.
Segundo o delegado da DIG, Cledson Luiz do Nascimento, há 100% de certeza de que os bandidos agiram com base em informações privilegiadas. "Eles sabiam quem iriam roubar e como fazer isso".
Por isso, o delegado explica que as investigações giram em torno da origem dessa informação e, desse modo, não descarta mais prisões.
Em relação ao outro suspeito que participou do crime, a DIG informa que ele também está sendo rastreado e acredita que, em breve, conseguirá identificar e prender o homem. A arma usada no crime não foi localizada.