Política

Saúde não conserta nem as ambulâncias

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Se não bastassem os problemas já conhecidos enfrentados diariamente pelo usuários do sistema público de Saúde de Bauru, um novo elemento complica ainda mais o atendimento aos que dependem do serviço. Das 10 ambulâncias que o município dispõe para fazer o transporte de pacientes, apenas três estão funcionando. Todas as outras sete estão em conserto.

O problema foi levantado pelo Jornal da Cidade, no dia 18 de junho, e ganhou repercussão na sessão ordinária da Câmara Municipal de Bauru dessa segunda-feira pelo vereador Roberval Sakai (PP), que apresentou vídeo mostrando o problema. Além disso, o presidente da Câmara solicitou informações ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) sobre as condições de cada uma das viaturas utilizadas pelo município com essa finalidade.

A falta de ambulâncias se torna ainda mais grave com a constatação de que a demora para o conserto e manutenção devida aos veículos transforma problemas simples e baratos em complexos e caros.

Uma dessas viaturas, por exemplo, necessitava da troca da correia dentada e outras peças, com o orçamento de R$ 2.294,00, no dia 11 de maio. No início do mês de junho, porém, o custo para consertá-la saltou para mais de R$ 27 mil, após o motor da ambulância ter fundido. A administração municipal, portanto, tem de apurar por qual razão o conserto inicial não foi realizado e fazer a ligação desta fase com a perda total do motor, o que gera enormes prejuízos ao erário.

No entanto, esse não é o único caso do tipo: outra ambulância apresentava problemas nos freios e geraria despesa de R$ 6 mil para voltar a atender pacientes. Como o veículo continuou em uso, mesmo após a constatação do defeito, o orçamento para o conserto subiu a R$ 8.845,00. Aqui a pergunta é: será que estão propositadamente deixando de realizar reparos em fases mais simples para "encarecer" o conserto? OU é negligência funcional? Em ambos os casos, a gestão na Saúde é colocada em xeque.

Para piorar, as ambulâncias que ainda podem circular apresentam condições precárias. Uma delas, por exemplo, tem o assoalho furado nos lugares do motorista e do passageiro. E quem sofre mais é o usuário, pois o cheiro de combustível invade o espaço onde a maca fica localizada.

Manutenção não funciona


De acordo com o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, o problema com as ambulâncias ?o pegou de surpresa?, pois todas teriam quebrado simultaneamente. "Tudo aconteceu de uma hora para outra", afirmou.

Mas o responsável pela pasta, que tem orçamento de R$ 120 milhões anuais, admitiu que a manutenção das viaturas responsáveis pelo transporte de pacientes é deficiente no município. "Atualmente, vários setores da secretaria cuidam da nossa frota, mas ninguém faz direito", afirma Monti, para espanto da área do governo que mais falou em eficiência e mudança de modelo de gestão desde janeiro de 2009.

O cenário é agravado pelas informações apresentadas por Roberval Sakai de que o custo para o conserto das ambulâncias aumentou por conta da demora na execução do serviço. Sob esse aspecto, Monti argumenta acerca dos processos burocráticos exigidos pelo poder público. "Consertar uma ambulância não é como consertar um carro particular. A viatura vai para a concessionária, onde é feito o orçamento, que precisa ser aprovado e confrontado dentro dos princípios legais", explica o secretário.

Neste caso, o secretário não consegue responder por qual razão a área de gestão da pasta foi deficiente no planejamento para executar as ações.

____________________

Sete novas viaturas


Apesar das sete viaturas já estarem em conserto, Fernando Monti garante que a solução do problema é a troca de frota, pois muitos dos veículos são antigos e rodam quilometragens acima da média. A previsão do secretário é de que, no prazo de 90 dias, a Secretaria de Saúde deve iniciar processo para aquisição de sete novas ambulâncias grandes que devem substituir as sete mais antigas que deveriam estar na atividade. Monti garante que o número de 10 viaturas atende plenamente às demandas da rede municipal.

Antes disso, porém, a expectativa é de que todas as ambulâncias que estão em conserto voltem a circular no município. Segundo Monti, duas delas, da marca Peugeot, que são as maiores, já devem voltar estar aptas para transportar pacientes a partir dessa sexta-feira. Por conta do número de ambulâncias encostadas, os casos de emergência estão sendo atendidos pelas viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

____________________

Novo setor?


Pouco mais de um ano após a criação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) da Saúde, cujas ações incluíram readequar o organograma e a estrutura da pasta, Fernando Monti cogita a criação de uma área específica para atuar na logística e nas manutenções preventiva e corretiva das viaturas da secretaria. "Alcançamos uma dimensão que exige avaliação constante dos veículos. A intenção é de implementar esse setor antes da aquisição das novas viaturas. Estamos em fase de estudo", afirma.

Monti acrescenta que a pasta deve adotar política para alocar equipes de funcionários em viaturas específicas para facilitar a identificação rápida tanto a identificação de problemas quanto atribuição de responsabilidades. "Isso é muito usado em empresas de transporte coletivo e de cargas", aponta.

Comentários

Comentários