Se não bastassem os problemas já conhecidos enfrentados diariamente pelo usuários do sistema público de Saúde de Bauru, um novo elemento complica ainda mais o atendimento aos que dependem do serviço. Das 10 ambulâncias que o município dispõe para fazer o transporte de pacientes, apenas três estão funcionando. Todas as outras sete estão em conserto.
O problema foi levantado pelo Jornal da Cidade, no dia 18 de junho, e ganhou repercussão na sessão ordinária da Câmara Municipal de Bauru dessa segunda-feira pelo vereador Roberval Sakai (PP), que apresentou vídeo mostrando o problema. Além disso, o presidente da Câmara solicitou informações ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) sobre as condições de cada uma das viaturas utilizadas pelo município com essa finalidade.
A falta de ambulâncias se torna ainda mais grave com a constatação de que a demora para o conserto e manutenção devida aos veículos transforma problemas simples e baratos em complexos e caros.
Uma dessas viaturas, por exemplo, necessitava da troca da correia dentada e outras peças, com o orçamento de R$ 2.294,00, no dia 11 de maio. No início do mês de junho, porém, o custo para consertá-la saltou para mais de R$ 27 mil, após o motor da ambulância ter fundido. A administração municipal, portanto, tem de apurar por qual razão o conserto inicial não foi realizado e fazer a ligação desta fase com a perda total do motor, o que gera enormes prejuízos ao erário.
No entanto, esse não é o único caso do tipo: outra ambulância apresentava problemas nos freios e geraria despesa de R$ 6 mil para voltar a atender pacientes. Como o veículo continuou em uso, mesmo após a constatação do defeito, o orçamento para o conserto subiu a R$ 8.845,00. Aqui a pergunta é: será que estão propositadamente deixando de realizar reparos em fases mais simples para "encarecer" o conserto? OU é negligência funcional? Em ambos os casos, a gestão na Saúde é colocada em xeque.
Para piorar, as ambulâncias que ainda podem circular apresentam condições precárias. Uma delas, por exemplo, tem o assoalho furado nos lugares do motorista e do passageiro. E quem sofre mais é o usuário, pois o cheiro de combustível invade o espaço onde a maca fica localizada.
Manutenção não funciona
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, o problema com as ambulâncias ?o pegou de surpresa?, pois todas teriam quebrado simultaneamente. "Tudo aconteceu de uma hora para outra", afirmou.
Mas o responsável pela pasta, que tem orçamento de R$ 120 milhões anuais, admitiu que a manutenção das viaturas responsáveis pelo transporte de pacientes é deficiente no município. "Atualmente, vários setores da secretaria cuidam da nossa frota, mas ninguém faz direito", afirma Monti, para espanto da área do governo que mais falou em eficiência e mudança de modelo de gestão desde janeiro de 2009.
O cenário é agravado pelas informações apresentadas por Roberval Sakai de que o custo para o conserto das ambulâncias aumentou por conta da demora na execução do serviço. Sob esse aspecto, Monti argumenta acerca dos processos burocráticos exigidos pelo poder público. "Consertar uma ambulância não é como consertar um carro particular. A viatura vai para a concessionária, onde é feito o orçamento, que precisa ser aprovado e confrontado dentro dos princípios legais", explica o secretário.
Neste caso, o secretário não consegue responder por qual razão a área de gestão da pasta foi deficiente no planejamento para executar as ações.
Sete novas viaturas
Apesar das sete viaturas já estarem em conserto, Fernando Monti garante que a solução do problema é a troca de frota, pois muitos dos veículos são antigos e rodam quilometragens acima da média. A previsão do secretário é de que, no prazo de 90 dias, a Secretaria de Saúde deve iniciar processo para aquisição de sete novas ambulâncias grandes que devem substituir as sete mais antigas que deveriam estar na atividade. Monti garante que o número de 10 viaturas atende plenamente às demandas da rede municipal.
Antes disso, porém, a expectativa é de que todas as ambulâncias que estão em conserto voltem a circular no município. Segundo Monti, duas delas, da marca Peugeot, que são as maiores, já devem voltar estar aptas para transportar pacientes a partir dessa sexta-feira. Por conta do número de ambulâncias encostadas, os casos de emergência estão sendo atendidos pelas viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Novo setor?
Pouco mais de um ano após a criação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) da Saúde, cujas ações incluíram readequar o organograma e a estrutura da pasta, Fernando Monti cogita a criação de uma área específica para atuar na logística e nas manutenções preventiva e corretiva das viaturas da secretaria. "Alcançamos uma dimensão que exige avaliação constante dos veículos. A intenção é de implementar esse setor antes da aquisição das novas viaturas. Estamos em fase de estudo", afirma.
Monti acrescenta que a pasta deve adotar política para alocar equipes de funcionários em viaturas específicas para facilitar a identificação rápida tanto a identificação de problemas quanto atribuição de responsabilidades. "Isso é muito usado em empresas de transporte coletivo e de cargas", aponta.