Além de todos os santistas, a final de hoje da Libertadores entre o Peixe e o Peñarol, no Pacaembu, será motivo de grandes lembranças para um bauruense em especial. Sim, porque o ex-jogador Ismael Sabino, mais conhecido como Ticão, já teve o privilégio em sua longa e vitoriosa carreira no futebol ? quando colecionou passagens, por exemplo, em times célebres como a Ponte Preta vice-campeã paulista de 1977, o Vasco de Roberto Dinamite, o Atlético-GO de Valdeir "The Flash", entre muitos outros ? de encarar a Libertadores defendendo o Peñarol.
Na equipe uruguaia, onde conquistou o vice-campeonato da Libertadores em 1983 após perder a final para o Grêmio de Renato, Tita, De León e Valdir Espinosa, Ticão também foi campeão uruguaio e terceiro colocado no Mundialito de Clubes disputado em Milão com equipes do porte de Flamengo, Juventus (ITA), Internazionale de Milão e Milan. "Durante a Libertadores daquele ano disputamos o Torneio Centenário, em Montevidéu, e perdemos para o Santos por 3 a 0. É por isso que acho que vai dar Santos, pois o Peñarol sempre foi freguês do Peixe", crava Ticão.
Para o ex-jogador do Peñarol, o clube uruguaio sempre foi marcado por praticar um futebol determinado e aguerrido, que prioriza e valoriza muito a marcação. "Mas o Santos tem valores individuais acima da média que, quando se igualam na raça dos uruguaios, os superam na técnica", analista Ticão. Na época em que Ticão defendeu os aurinegros, o time era simplesmente a base da seleção uruguaia, pois contava com jogadores como Saralegui, Bossio e Venâncio Ramos, entre outros.
Vindo do Vasco para o Peñarol com 23 anos, após uma negociação em que estava praticamente acertado com a Udinese, da Itália, mas que por força de seu empresário na época, o influente Juan Figer, acabou o levando ao time uruguaio, Ticão não tem só boas lembranças da Libertadores. Naquela época, na década de 80, a competição ainda não havia instituído o controle antidoping nos atletas e, por isso, muitos jogadores atuavam "turbinados" com substâncias proibidas.
"Eles se dopavam para jogar já nos vestiários, pois não tinha exames antidoping. Isso era uma grande falha da Libertadores. O pessoal chegava a aquecer 40 minutos direto e eu, mesmo com 23 anos, não aguentava porque eu não me dopava. Por causa dessa falta de controle, era um futebol muito violento. A porrada comia mesmo pra valer", recorda Ticão. "Isso foi uma das coisas que me levaram a querer sair do Peñarol. Vi muitas coisas erradas", acrescenta.
Além disso, a predileção do treinador do Peñarol, Hugo Bagnulo, pela marcação ? e também uma certa antipatia por jogadores brasileiros ? foi outro fator que pesou para Ticão tomar a decisão de deixar o futebol uruguaio. "Eu vim para o Peñarol justamente para o lugar de outro brasileiro, o Jair. O que não conseguiram fazer com ele fizeram comigo, pois o treinador, mesmo eu sendo o artilheiro do campeonato uruguaio me sacava do time para colocar um zagueiro no lugar, o Falero. Ele já fez isso durante o Mundialito e não falei nada e depois me tirou de vez", conta Ticão.
Por fim, mesmo já tendo defendido as cores do tradicional e vitorioso uniforme aurinegro na Libertadores, o ex-jogador garante. "Vou torcer para o Santos ser campeão", promete Ticão.