Sete carros foram incendiados de forma criminosa, ontem de madrugada, em frente a uma auto elétrica na Vila Ipiranga. Quase todos os veículos, exceto um, pertenciam a clientes do proprietário da oficina, o eletricista Djalma Garcia, de 41 anos.
O incêndio, de acordo com a vítima e testemunhas, foi provocado por volta das 4h30 pelo acusado Edvaldo Donizete Peres Martins, de 25 anos. Ele foi surpreendido pelo dono da oficina e vizinhos dentro de um dos carros e com um isqueiro na mão, no momento em que tentaria atear fogo em mais um veículo.
Ele foi contido e a polícia foi chamada, assim como os bombeiros, que não conseguiram evitar a destruição total de parte dos veículos incendiados. Os carros foram abertos pelo próprio acusado, que quebrou vidros com as próprias mãos. Testemunhas dizem que Edvaldo parecia estar sob o efeito de alguma substância entorpecente.
Entretanto, os moradores vizinhos da oficina, que ajudaram a conter as chamas nos automóveis com auxílio de baldes e mangueiras, afirmam ter escutado movimentação de outras pessoas além do acusado. Ele foi encaminhado pelos soldados PMs Dias e Clóvis, da Base Oeste, ao Plantão Policial e apresentado ao delegado José Dorneles Costa.
Martins foi autuado em flagrante por incêndio criminoso. O acusado, que de acordo com a Polícia Militar tem passagem criminal anterior por tráfico de entorpecentes, foi encaminhado à Cadeia Pública de Duartina.
À polícia, o proprietário da auto elétrica disse desconhecer eventuais motivos que tenham levado o acusado, e possíveis comparsas, ao incêndio criminoso.
Foram destruídos totalmente um automóvel Monza e dois Fuscas. As chamas causaram sérias avarias numa perua Towner, num Fiat/Uno e um Tempra. Um Kadett/Ipanema teve poucos danos. Foi neste carro que Edvaldo foi detido, com um isqueiro na mão, pronto para atear fogo nos bancos, afirma o dono da oficina.
O mecânico Edson Garcia, 49 anos, irmão do eletricista e morador numa casa aos fundos da oficina, afirma que foi acordado por um vizinho, que notou o incêndio. Ele conta que rapidamente conseguiu, com a ajuda de outros moradores próximos, deter o acusado, que ainda ameaçava tanto populares quanto policiais dizendo possuir armas, e que retornaria para um eventual acerto de contas futuro.
Um aposentado, morador ao lado, conta como foi acordar assustado com as labaredas e correria: "Vi uma certa movimentação de dentro de casa e depois senti um forte cheiro de queimado. Olhei e vi o fogo na perua estacionada em frente. Não sei quantas pessoas estavam", diz o vizinho Fausto Rodrigues da Silva, de 70 anos. "Ele (Edvaldo) quebrou o vidro da perua com um soco. Acho que ele estava ?louco de pedra?", comenta.
O dono da oficina, cuja pequena garagem não era guarnecida por qualquer tipo de cerca ou portão, não calcula precisamente o prejuízo, que segundo ele, estaria estimado em cerca de R$ 20 mil. O estabelecimento, alegam os donos, também não está protegido por qualquer tipo de seguro contra incêndio. O caso é investigado pela Polícia Civil.