O Interior não está longe do desenvolvimento tecnológico e compete com cidades metropolitanas em vários aspectos. Justamente para provar isso, jovens estudantes de arquitetura e urbanismo vindos de todo o País estão em Bauru desde o último domingo visitando pontos históricos e turísticos, conhecendo a cultura e analisando a paisagem urbana. Eles buscam uma identidade para Bauru, que virou o centro das discussões do 35.º Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (Enea), sediado no Recinto Mello Moraes.
O evento de âmbito nacional, que conseguiu reunir nesta edição 700 estudantes, pela primeira vez acontece numa cidade de porte médio, no Interior do Estado de São Paulo e com menos de 500 mil habitantes, fora de grandes centros urbanos e turísticos. Tal fato proporciona o debate em torno do desenvolvimento acelerado das cidades médias, como Bauru.
Mas o que os futuros arquitetos de diferentes regiões brasileiras vão levar de Bauru para suas casas e sua formação?
Os estudantes de arquitetura Danilo Grisotto e Fernando de Oliveira, ambos de 22 anos, vieram de Londrina, no Paraná, para participar do 35.º Enea. Para eles, apesar de Bauru ser uma cidade interiorana, carrega um clima de metrópole. "Aquele estereótipo de cidade atrasada ficou para trás", ressaltaram.
Já para as universitárias vindas de Laguna, Santa Catarina, Bauru abriga uma diversidade de projetos arquitetônicos. Através das visitas guiadas, elas puderam examinar e conhecer particularidades do município. Na avaliação delas, trata-se de uma cidade média bem diversificada neste aspecto. "Em Bauru podemos encontrar patrimônio histórico e ao mesmo tempo edifícios modernos", ressaltara Gésica Tarnoski, ao lado das amigas Eloísa Manenti e Ana Caroline Herber, todas de 20 anos.
"Podemos dizer que a cidade também possui muito verde. As avenidas têm canteiros, isso é algo positivo do ponto de vista urbanístico. As ruas também são bem organizadas", avaliaram.
? Serviço
O 35.º Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (Enea) continua hoje, no Recinto Mello Moraes, com diversas atividades. O site do evento é www.eneabauru2011.org.
?Uma das melhores cidades do Interior?
Para os universitários Jorge Otávio e Newton Fernandes, vindos de Salvador, e Carolyne de Castro, de Fortaleza, Bauru detém uma estrutura que a torna exemplo de cidade média, chegando até a superar algumas metrópoles. Na avaliação deles, a cidade dispõe de bons serviços e forte comércio. "Apenas o transporte deixa um pouco a desejar. São poucos horários de ônibus", alegaram.
Contudo, os estudantes analisam que os moradores precisam valorizar mais o patrimônio histórico da cidade, resgatar sua identidade cultural. "A parte da linha férrea está abandonada", comentou Newton.
Alan Pinho, vindo do Acre, diz que, apesar da cidade oferecer muitos serviços e forte comércio, a população não sabe informar onde ficam os pontos culturais. "Falta uma política para fortalecer essa parte na cidade, divulgar os locais históricos e culturais", frisa.
Troca de conhecimento
As atividades do 35.º Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (Enea) permitem a troca de informações culturais e de ideias distintas. As diversas oficinas colocam os estudantes em contato com práticas artísticas das mais variadas.
Pablo Brandão coordenou na manhã de ontem uma oficina sobre pipas. "É uma forma de mostrar que a pipa pode ser feita com materiais simples, como bambu e papel de seda. Ao mesmo tempo, fazemos análise da geometria", observa.
As palestras também agradaram os estudantes. "Gostamos da qualidade dos professores das universidades daqui", comentam os participantes Danilo Grisotto e Fernando de Oliveira.
Para Gésica Tarnoski, o evento é uma oportunidade para que os estudantes aprendam sobre os vários pontos de vista da arquitetura através de palestras, vivências e oficinas.