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Ciência abrange de técnicos a peritos

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Muito longe da má fama, a química atrai um considerável contingente ? poderia ser maior ? de novos estudantes, seja para se tornarem futuros professores, engenheiros e, até mesmo, peritos na área criminal.

Parece seriado de ficção científica, mas é a pura realidade. Tem gente que estuda química para contar com a ajuda da mistura de substâncias para desvendar autorias de crimes. Filha de policial, a universitária Samara Albuquerque, de 17 anos, é exemplo da variedade de campos de atuação oferecida pela ciência.

O sonho da estudante do primeiro ano, na Unesp/Bauru, é enveredar como perita criminal. "Quero trabalhar com perícia química, em laboratórios, junto com a área de Medicina Legal", detalha ela. Após a formatura, ela pretende prestar concurso específico na Polícia Federal e consequente mestrado.

Alexandre Simoneti, professor de Química, reforça que o campo, considerado muito difícil por uma parcela considerável de vestibulandos, é muito vasto. "Profissionais com conhecimento em química são necessários em indústrias de produtos para uso cotidiano", comenta ele, citando desde cosméticos até transformações mais complexas como nas indústrias petroquímica, farmacêutica, metalúrgica, entre outras. "Sempre comento com meus alunos que a engenharia química é um curso em ascensão exponencial. Um exemplo é a camada pré-sal, onde serão necessários especialistas das mais diversas áreas, sobretudo com conhecimentos em química, para otimizar a exploração, refino e obtenção dos materiais lá encontrados", relaciona.

A opinião dele é compartilhada pela professora universitária Setsuko Sato, da Universidade Sagrado Coração (USC). De acordo com ela, entretanto, um grande problema na formação de mão de obra qualificada para atender a toda potencial demanda no setor está justamente na base: falta professores no ensino médio. "Não temos muitos professores na área química", avalia.

Outro ponto levantado por ela é que a maioria dos estudantes na fase pré-vestibular é avessa a cálculos complexos. "O pessoal quer algo mais fácil e, assim, se formar rápido e tentar um emprego logo", acredita. "Na hora de escolher por um curso, quem realmente entra em química é porque gosta", considera.

Entretanto, diante à frieza dos números e fórmulas, uma chave para encontrar afinidade com a área, para a estudante universitária Natália Biazi Teixeira, é justamente entender a proposta por trás de misturas ou algarismos. "É só estudar com calma, tentando entender a matéria antes de tudo para facilitar nos cálculos", receita.

Contudo, ela reconhece que uma pitada de prazer é fundamental para a "química" entre aluno e disciplina. "Mas na verdade tudo é difícil quando não sentimos prazer em fazer. Então a saída é transformar nossas dificuldades em desafios e oportunidades. Podemos gostar de todas as matérias e trazer isso em nosso favor", aconselha.

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Fórmula do sucesso


Outro fator enaltecido pela universitária Natália Teixeira é a boa perspectivas no mercado de trabalho. Ou seja, apesar de algumas pedras no caminho, os frutos são promissores. "A chave é pensar que é para um futuro bom. O mercado é muito amplo. Muitos nem imaginam que um formado em química pode atuar em diversos tipos de indústria ou seguir carreira acadêmica, na área de pesquisa", incentiva a estudante de bacharelado.

Outro fator que pode chamar atenção até para quem se compara à água e óleo quando o assunto são as ciências exatas, é o grande índice de absorção no mercado para quem é formado no setor, seja em licenciatura, bacharelado ou engenharia química. "Tem bastante emprego", atesta a professora Setsuko Sato. "Todos os meus ex-alunos estão empregados, a não ser aqueles não muito ?brilhantes que acabam estagiando sem contratação", detalha.

Segundo ela, a faixa média salarial, de início, para um bacharel em química está na casa dos R$ 2,5 mil. Já um engenheiro químico, no ato da contratação, tem renda média estimada em R$ 3,5 mil, detalha ela, citando que, na região de Bauru, a maior parte dos profissionais é recrutada no setor de bebidas e sucroalcooleiro.

E, para combater de vez a fama de nociva dada à área, a professora cita um trunfo importante e incipiente no setor. Apesar de novo, o subsetor não é menos promissor: "Em São Carlos (Ufscar) temos a área de Química Ambiental, que é nova e que depara com o pessoal da Engenharia Ambiental. Há um cruzamento com muitas profissões diferentes", reforça.

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Cervejaria abre seleção para trainee


A Ambev está com inscrições abertas para seu programa de trainee em todas as áreas da empresa, incluindo química. O treinamento tem a duração de dez meses, sendo que os candidatos devem ter até dois anos de formados ou previsão de formatura para o final deste ano.

Serão recrutados profissionais também das áreas de administração de empresas ou pública; agronomia; análise de sistemas; ciências biológicas, contábeis, da computação, econômicas; direito; direito internacional; economia; engenharia (todos os ramos); estatística; física; farmácia; marketing; publicidade e propaganda; matemática; processamento de dados; relações internacionais ou sistemas da informação.

As inscrições podem ser até 28 de agosto no site: www.traineeambev.com.br.

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