São Paulo - A Afavitam (Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ 3054) realizaram ontem missa na Igreja da Sé para relembrar os quatro anos do acidente que matou 199 pessoas.
Na noite de 17 de julho de 2007, um Airbus da TAM não conseguiu aterrissar no aeroporto de Congonhas, atravessou a avenida Washington Luís e bateu contra um galpão da própria empresa. No total, 199 pessoas morreram.
Por volta das 11h, os familiares se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo, para homenagear as vítimas do acidente com cartazes e flores. A missa começou por volta das 12h. Cada familiar entrou na igreja com uma estrela, representando uma vítima.
Simone Grazielli Felizardo, irmã de uma das vítimas, diz que o momento é o mais otimista para as famílias desde o acidente.
"O golpe da perda foi seguido de vários golpes de impunidade. Agora, com a acusação formal de alguns dos responsáveis e com a criação do memorial, a gente começa a recuperar a esperança de que o acidente não seja esquecido pela justiça", disse.
Hoje, a Afavitam vai realizar um encontro para lembrar os quatro anos da tragédia e homenagear as vítimas do acidente.
Haverá um ato ecumênico em homenagem às vítimas, que será realizado às 10h, em frente ao Aeroporto de Congonhas. No local, será construído um Memorial, cujo projeto será anunciado hoje, com a assinatura de acordo com representantes da Prefeitura de São Paulo.
O evento, nomeado Celebrando a Vida, contará com a presença de convidados, autoridades e representantes de diversas entidades. Na ocasião, também serão coletadas doações de cobertores, faldas geriátricas, cachecóis, produtos de higiene, entre outros itens que serão doados a um asilo de caridade.
Denúncia
A Justiça recebeu ontem a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal responsabilizando criminalmente três pessoas pelo acidente com o voo 3054 da TAM. Um processo foi aberto para julgamento do caso.
A denúncia foi recebida pelo juiz federal Márcio Assad Guardia, substituto da 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Os réus no processo são Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, diretor de segurança de voo da TAM, Alberto Fajerman, vice-presidente de operações da TAM e Denise Maria Ayres Abreu, ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Denise Abreu, que perdeu o cargo em meio à crise provocada pela tragédia, é acusada de imprudência por ter liberado a pista de Congonhas para pousos mesmo sem o grooving, as ranhuras que facilitam o escoamento da água em dias de chuva, e sem ter feito "inspeção, após o término das obras de reforma, com o fim de atestar a sua condição operacional em conformidade com os padrões de segurança aeronáutica".
A denúncia também afirma que, em fevereiro de 2007, Abreu garantiu à juíza responsável por um processo que pedia a interdição da pista de Congonhas que havia uma norma (IS-RBHA 121-189) que restringia a operação de aeronaves com sistema de freio inoperante.
"Se de fato fosse válida, a aeronave Airbus ver-se-ia impedida de pousar na pista principal do aeroporto de Congonhas no dia 17 de julho de 2007, evitando-se, assim, a morte de 199 pessoas", afirma o procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pela ação.
Negligentes
Já em relação aos então diretores da TAM, a Procuradoria os acusa de serem negligentes por terem permitido que os aviões da empresa pousassem em Congonhas mesmo sabendo das condições da pista em dias de chuva.
Castro ainda é acusado de não ter informado os pilotos sobre a mudança no procedimento de operação com o reversor do Airbus A320. No momento do pouso, um dos manetes do avião estava na posição errada - os dois deveriam estar na posição reversor, que facilita a frenagem, mas um permaneceu acelerando.
Os três acusados foram citados, junto a outras pessoas, em relatório de 2008 do Ministério Público Estadual. Castro e Abreu chegaram a ser indiciados sob suspeita de atentado contra a segurança do transporte aéreo, mas a medida foi suspensa pela Justiça.