Depois de dois meses de investigação, foi divulgado hoje um relatório de 500 páginas que conclui que o ex-presidente chileno Salvador Allende cometeu suicídio, durante o golpe militar de 11 de setembro de 1973.
A filha do ex-presidente e senadora do Partido Socialista, Isabel Allende, disse que sentia "uma grande tranquilidade" ao confirmar o que já sabia: que seu pai "tomou a decisão de acabar com sua vida, antes de ser humilhado ou viver qualquer outra situação".
Em maio passado, o corpo de Allende foi exumado. A suspeita era de que ele tinha sido assassinado no dia do golpe, quando aviões bombardearam o palácio presidencial La Moneda.
Um dos primeiros a levantar suspeitas sobre o suicídio de Allende foi o poeta chileno e Prêmio Nobel, Pablo Neruda, que morreu 12 dias depois de Allende, de uma parada cardíaca, provocada por um câncer de próstata. Em suas memórias, o poeta escreveu que Allende provavelmente tinha sido metralhado pelas tropas que tomaram de assalto o palácio presidencial e que o suicídio tinha sido inventado para encobrir um assassinato.
O caso de Allende é um dos 726 crimes contra os direitos humanos cometidos durante a ditadura que a Justiça chilena esta investigando. Foram 17 anos de ditadura no país. Mas segundo Gabriela Zuniga, da Agrupação de Familiares de Detidos e Desaparecidos, falta ainda muito por fazer.
No próximo mês, disse Zuniga, serão divulgados os resultados de uma investigação para saber se o número de mortos e desaparecidos foi maior do que se sabe. No Chile, o Estado paga o equivalente a US$ 800 mensais a mães ou as esposas das vítimas da ditadura.