Com piadas, brincadeiras, música, maquiagem colorida, narizes de palhaço e roupas espalhafatosas, um grupo de voluntários de Bauru oferece, semanalmente, um remédio milagroso a pacientes internados em hospitais e a pessoas atendidas por entidades assistenciais de Bauru. Com esta receita, o projeto Sorrir completa, no próximo mês, três anos de atividades que levam alegria a quem sofre todo tipo de problema, seja ele físico, psicológico ou material.
Cientes dos benefícios que o sorriso produz, os mais de 60 integrantes da equipe visitam, todos os sábados, hospitais, creches, asilos, orfanatos, casas de apoio e abrigos da cidade para transformar a rotina dos atendidos. "O grupo começou com três voluntários, mas, em pouco tempo, cresceu bastante. Hoje, atendemos pedidos de visitas até mesmo em entidades de fora de Bauru", comenta o estudante Leonardo Faria de Castro, 24 anos, coordenador do projeto.
Assim como ele, os demais voluntários são, em sua maioria, universitários. A cada sábado, o grupo passa por toda uma preparação antes de iniciar as atividades. Uns já vem maquiados de casa, outros terminam a produção em frente a entidade ou hospital que receberá o grupo. Após cerca de meia hora de concentração, uma oração feita em um círculo dá início à jornada.
No último sábado, o grupo visitou o Hospital de Base de Bauru. Por volta das 14h, os corredores da unidade foram tomados pelos integrantes vestidos de palhaço. Acompanhados pelos acordes de um violão, eles cantaram, contaram piadas e colocaram sorrisos nos rostos dos pacientes.
Um deles, Juliano Lopes, 26 anos, está internado há uma semana por conta de fraturas múltiplas sofridas na perna direita após um acidente com motocicleta. Pouco antes da chegada do projeto, ele chorava de dor, segundo conta. "A gente fica abatido, incomodado. E uma visita como essa realmente muda o dia. Deu até para esquecer um pouco a dor", comenta ele, que até contou piada para os palhaços do Sorrir.
Leonardo conta que, preferencialmente, as visitas são realizadas nos locais mais necessitados. O hospitais, por exemplo, são inseridos no cronograma ao menos uma vez por mês. O período de permanência é de até uma hora e meia. Para Leonardo, é o tempo suficiente para que o grupo cumpra seu objetivo.
"Mais do que isso, começa a cansar as duas partes. A gente faz piada, conversa e dá oportunidade de as pessoas falarem sobre elas também", frisa. No hospital, a equipe se divide em grupos para não tumultuar o trânsito nos corredores ou superlotar os quartos. Já em creches e orfanatos, até mesmo gincanas e malabares entram na programação.
"A alegria das pessoas, principalmente das crianças, é algo que não tem preço. A gente percebe o agradecimento no olhar delas", comenta o administrador de empresas Rogério Cintra, 23 anos, que integra o projeto há três meses, após experiências anteriores como voluntário.
Sensibilidade
Segundo a estudante Priscilla Maria Ponce Vareda 23 anos, a maquiagem e roupas coloridas são uma forma de facilitar a aproximação e afastar qualquer resquício de timidez de ambos os lados. "O colorido quebra um pouco a seriedade do ambiente e faz com que as pessoas esqueçam, mesmo que momentaneamente, do ambiente onde estão. E, quando a gente coloca a fantasia, é como se assumisse um personagem. Vestidos desta forma, podemos ser o que não somos no dia a dia", justifica.
Para a professora de teatro Janaína Arruda, o efeito produzido por toda essa festa não beneficia somente os visitados, mas também os voluntários do projeto, que acabam por modificar seu olhar sobre si mesmos.
"A gente fica mais responsável, mais sensível. Muda a forma como encaramos os nossos próprios problemas. E a gente percebe que esse crescimento ocorre com todos do grupo. É uma mudança que se desenvolve ao longo das semanas, com o acúmulo de sorrisos que a gente recebe", observa.
Voluntariado
O requisito para poder fazer parte do grupo é ter pelo menos 16 anos e muita vontade de trazer alegria e ajudar o próximo. Não é preciso ter conhecimento de técnicas de clown ou artes dramáticas e até mesmo os tímidos são bem-vindos.
Interessados podem entrar em contato pelo e-mail projetosorrirbauru@gmail.com, pelo Twitter no @projetosorrirbauru ou pelo Facebook na página Projeto Sorrir Bauru.