Bairros

Homem desaparecido foi parar em Itu de bicicleta

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Finalmente, momentos de angústia de uma família aflita transformaram-se em felicidade. Leandro Fidêncio Gregório, 27 anos, sobrinho de Márcio Fidêncio Martins, 31 anos, com quem reside, reapareceu após ter sumido na última quinta-feira. O jovem, que possui atraso mental, foi encontrado em um albergue na cidade de Itu - a 238 quilômetros de Bauru - e afirmou à família que foi de bicicleta até São Paulo, onde "se perdeu".

Leandro tinha sido visto pela última vez na manhã do dia 21, quando saiu de casa dizendo que iria buscar leite em um posto de saúde do bairro Beija-Flor, onde reside com seu tio. Depois disso não foi mais visto por ninguém do bairro e nem pela família, que, desesperada, registrou boletim de ocorrência (BO) de desaparecimento.

"Como ele sempre fazia isso, nós não nos preocupamos. Ele sempre saía com a bicicleta dele, jogava bola com as crianças da rua. Mas como ele não apareceu, eu nem esperei dar 24 horas de desaparecimento para registrar queixa", conta o tio Márcio Fidêncio Martins.

Pedalando

Leandro conversou com a equipe de reportagem do Jornal da Cidade ontem e contou que simplesmente estava pedalando sua bicicleta quando chegou à rodovia Marechal Rondon. Perdido, ele visualizava as placas indicando a cidade de São Paulo e resolveu seguir em frente.

"Eu não pensava em nada porque estava perdido e fui pedalando normal, sem esforço. Estava sem dinheiro e sem comida. Cheguei em Botucatu e pedi comida a um homem que me deu uma marmita e uma garrafa de suco. Como não comi tudo, no outro dia comi o resto."

O jovem conta que ao anoitecer parava de pedalar e dormia no meio do mato. "Eu não sentia medo de nada. Não tenho medo, nem dos bichos", disse. Provavelmente ele chegou a Itu nesta terça-feira pela manhã, mas ele mesmo não sabe ao certo. "Fiquei tão nervoso que nem sabia falar meu nome", enfatiza Leandro.

"Eu estava desesperado porque a Polícia Militar e a Polícia Civil já estavam sabendo do desaparecimento do Leandro e nada tinha mudado. Cada dia que se passava, a esperança de encontrá-lo vivo, com tanta violência que existe por aí, diminuía. Então recorri à imprensa na terça-feira e também fiz um alerta ao vivo em um programa da Record Paulista".

Foi a partir deste momento que as esperanças de Márcio começaram a surgir. Ele recebeu uma ligação de funcionários do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, conhecido como Centrinho de Bauru.

"Quando chegou a Itu, o Leandro foi até a Secretaria Municipal de Saúde pedir ajuda e ele disse que já tinha sido paciente do Centrinho. Então os funcionários começaram a me ligar sem parar e eu fui até Itu, mas cheguei às 18h30 e todas as repartições estavam fechadas".

Pensou no Albergue Noturno da cidade. Foi até lá e mostrou uma foto à assistente social. "Ela me disse que o Leandro estava lá. Foi muita alegria", conta Márcio.

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Como é possível?

Leandro Fidêncio Gregório diz que não sabe como, mas chegou a São Paulo sem o auxílio de ninguém. "Quando eu cheguei lá, achei a cidade muito grande e fiquei com medo, daí resolvi voltar e cheguei em Itu. Não vou mais sair assim, andando de bicicleta. Meu tio falou que quando viu Itu do alto da serra, imaginou que eu poderia não estar mais vivo", conta o jovem.

"Fico imaginando como as mães sofrem quando perdem seus filhos. Estou aliviado de ter o Leandro de volta e saudável, porque ele ficou todos esses dias passando frio, fome e sem tomar os remédios controlados. Agora a bicicleta dele está desmontada e não vou montá-la tão cedo. Ele precisa entender o quanto nos deixou preocupados. Conversei muito com ele", diz o tio.

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