Pesca & Lazer

História de Pescador: Piquira, Jejú...


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Tendo realizado muitas pescarias em Mato Grosso, desde muitos anos atrás, conheci diversos rios, e às vezes, aqui ou ali, presenciava fatos novos, coisas simples e também curiosas, que fugiam do cotidiano. Para nós, paulistas, alguns casos causavam muita surpresa e admiração, mas, no entanto, para os ribeirinhos eram coisas corriqueiras. E, para quem as desconhece, vale saber algumas:

- No rio Atibaia, em Bodoquena, por exemplo, o Neves (por sinal um negão muito bacana e solícito), servidor da Noroeste (como nós), nos ensinou a "pegar" piquira, um pequenino peixe de 25 milímetros, no máximo, verdadeira miniatura de piraputanga. Eram fritos aos punhados, sem serem limpos, apenas salgados, e era uma mistura farta e deliciosa. Para pegá-los, colocava-se um peneirão no fundo de uma prainha com 10 ou 15 centímetros de água e, sobre o centro dessa peneira, na superfície, era só chacoalhar a mão com um filete de carne entre os dedos, que se atraía verdadeiras "nuvens" de piquira. Pegava-se quanto queria.

- No rio Paraguai, época de piracema, vimos uma "subida? de jejú (que nem todos pirangueiros conhecem), que nos deixou boquiabertos. Parece uma traíra (no formato), mas é preto nas costas e branco por baixo, e de 10 a 15 centímetros, apenas. Eram aos milhares, lado a lado, numa faixa de 70 ou 90 centímetros, encostados à margem do rio, na superfície. Era uma faixa longa, porém não saberei dizer o quanto. Eram pegas com puçá, em quantidade, e até com pedaços de ripas eram batidos para fora da água. Desculpem o trocadilho, mas era peixe mesmo a dar com pau. Será que ainda existe isso?


Adalto Dias Giafferi Prado é pescador e contador de histórias.

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