O artesão e professor indígena David Henrique da Silva Pereira estava contente com as vendas ontem à tarde. Sempre presente nas feiras Ubá, realizada todo segundo domingo de mês no Parque Vitória Régia, ele comentou que a procura estava maior do que o normal.
Impulsionado pela programação de aniversário da cidade, o público também estava bem acima daquele que costuma frequentar o parque nos fins de semana. E isso, na opinião do artesão, ajudou a aumentar as vendas.
Os produtos mais procurados, segundo ele, eram os colares, flautas e chocalhos. Todos feitos por ele próprio, com a técnica indígena que aprendeu com a mãe, que também fazia artesanato para venda na Feira Ubá. David pertence a aldeia Ekeruá, da tribo terena, de Avaí.
Quem também estava feliz com o resultado das vendas era o casal de namorados Francine Cristina do Rosário e Rafael Leandro de Oliveira. Recém-chegados ao ramo de pipas, eles não mediram muito bem o tamanho da demanda e compareceram ao parque com um estoque pequeno. Pela procura, eles estavam certos de que não teriam mais pipas para vender hoje, no encerramento da festa, quando é esperada uma grande presença de público - a maior dos três dias.
A experiência deste ano, fez o casal já programar a preparação para o ano que vem, quando eles pretendem comparecer com um estoque bem maior de pipas. E não esquecer de oferecer também os carretéis de linha, muito procurados pelas crianças, mas que o casal não tinha para vender.
Alfredo Xavier, vendedor de algodão doce há mais de 25 anos, também estava feliz com as vendas, mas ao mesmo tempo estava incomodado com a perseguição dos fiscais, que insistiam em pedir para que ele se retirasse do parque. Sem autorização da prefeitura para atuar na festa como vendedor ambulante, o senhor de 78 anos, alegava que os trocados que estava ganhando com as vendas seria muito importante para complementar a renda de apenas um salário mínimo de aposentadoria. Apesar da insistência dos fiscais, ele não se mostrava disposto a arredar o pé do local. "Só saio se eles me prenderem, mas prender um homem de 78 anos não é respeitoso", alegava.