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Justiça anula tombamento de encontro dos rios Negro e Solimões

Folhapress
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Manaus - A Justiça Federal no Amazonas informou ontem que determinou a anulação do tombamento do encontro das águas dos rios Negro e Solimões, em Manaus, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

No final de 2010, o Conselho Consultivo do Iphan confirmou o tombamento e demarcou uma área protegida de dez quilômetros contínuos do encontro dos rios pelo valor arqueológico, etnográfico e paisagístico.

A anulação do tombamento pela Justiça acolhe ação movida pelo governo do Amazonas, que apoia a construção do terminal Porto das Lajes, na margem direita do encontro dos rios. A obra, que pertence às empresas Log-In Logística Intermodal e Grupo Simões (através da Juma Participações), ganhou na quarta-feira a licença de instação do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Ambientalistas e escritores que integram o Movimento SOS Encontro das Águas contestam a obra. O poeta Thiago de Mello, 85 anos, disse que estava apreensivo com a decisão da Justiça. "Os empresários pensam que com dinheiro pode tudo. Temos que respeitar a obra da natureza", disse o poeta Thiago de Mello.

Na decisão, o juiz Dimis da Costa Braga disse que acolheu o argumento do governo do Amazonas de que houve ausência de consultas e audiências públicas no processo de tombamento executado pelo Iphan. O Iphan, por meio de assessoria em Brasília, disse que cabe recurso da decisão da Justiça, mas não quis comentar o caso.

No parecer do tombamento, o conselheiro e arqueólogo Eduardo Góes Neves afirmou que uma obra como o Porto das Lajes causaria imenso impacto ao patrimônio arqueológico da área de confluência dos rios Negro e Solimões.

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