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Avenida Nações Unidas Norte

Archimedes Raia Jr.
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru, ao completar 115 anos, ganhou um presente maravilhoso. No mês passado, foi inaugurada a Avenida Nações Unidas, trecho norte. Foi o maior presente que a cidade recebeu nas últimas décadas. Fazia muito tempo que o município não era agraciado com obra de tamanho vulto e importância. Houve uma época, nas décadas de 1970 e 1980, em que Bauru tinha muita força e representatividade em Brasília e São Paulo. Os recursos para grandes obras chegavam com certa fluência.

A Avenida Nações Unidas Norte, como está sendo chamada, é a principal obra patrocinada pelo governo de São Paulo na cidade sem limites nas últimas décadas. Com um custo de cerca de R$ 70 milhões, com R$ 58 milhões vindos do governo paulista, muitas desapropriações realizadas e muitos meses de construção, por fim, aí está esta obra fantástica. Ela foi concebida pelo saudoso Jurandyr Bueno Filho e projetada pelo Adelmo Bertussi, dois grandes gênios do planejamento urbano bauruense.

Com certeza a avenida estará ainda mais bonita, depois que os trabalhos de iluminação e paisagismo estiverem terminados. Ficará ainda melhor quando ficarem prontas as obras do Parque do Castelo, que será tão ou mais bonito que o Parque Vitória Régia. Temos certeza que o prefeito Rodrigo Agostinho dedicará um cuidado especial a estas obras, que também tiveram a participação do governo municipal e são inauguradas em seu mandato. Isto ficará registrado para sempre nos anais bauruenses. Do alto deste trecho da Nações Unidas, bem próximo ao entroncamento com a rodovia João Ribeiro de Barros, na zona norte, pode-se ter uma visão panorâmica fantástica da cidade. É, certamente, um novo cartão postal de Bauru.

Sem dúvida nenhuma, a avenida será marco de grande desenvolvimento para a região norte da cidade. Do ponto de vista urbanístico, a avenida representa uma grande transformação no uso e ocupação do solo naquela região. Já houve, e haverá ainda mais, grande valorização dos imóveis lindeiros e, como conseqüência, maior geração de impostos para o município. Novas empresas, com certeza, serão abertas naquela região e passarão a compor a paisagem moderna e agradável de um setor da cidade que estava praticamente esquecido pelo poder público municipal.

A avenida Moussa Tobias, que liga a avenida Nações Unidas ao trevo das rodovias Marechal Rondon e Bauru-Iacanga, e muito próxima à Nações Norte, é um exemplo de mudanças radicais de desenvolvimento e acessibilidade. Hoje, nela estão instalados um campus universitário, um grande centro atacadista e muitas empresas, que trazem grande desenvolvimento para a região do Parque São Geraldo.

Do ponto de vista do trânsito, a Nações Norte proporciona uma nova opção de ligação da região norte com o centro e demais regiões da cidade, alterando de maneira positiva a acessibilidade naquela região, e global da cidade. No entanto, é preciso muito cuidado. Esta nova artéria, de grande capacidade e volume, que tem uma função estrutural no sistema viário da cidade, não pode ser descaracterizada, tal como foi feito com a antiga Avenida Nações Unidas. O trecho compreendido entre a Avenida Duque de Caxias e o Ceasa foi projetado para ter um uso de via de trânsito rápido. Hoje, este trecho está totalmente descaracterizado em relação ao projeto inicial e passou a ser operado como uma avenida arterial de baixa capacidade e velocidade.

Uma cidade, com um sistema viário equilibrado, deve possuir vias arteriais, coletoras e locais em quantidade suficiente. As maiores, também possuem vias de trânsito rápido, as chamadas vias expressas. Na medida em que se imputa às vias principais dispositivos de tráfego, tais como semáforos, cruzamentos em nível, redutores de velocidades, etc., as suas capacidades são reduzidas, e congestionamentos e baixas velocidades de circulação serão registrados.

Já há quem peça obstáculos na nova avenida. Isto reduziria em muito a sua capacidade. Precisamos preservar as nossas vias de maior capacidade, que já são em número reduzido. Caso contrário, aumentará o sofrimento dos bauruenses no trânsito. É evidente que a própria geometria e topografia da Nações Norte sugerem velocidades acima do necessário. Porém, elas deverão ser controladas por meios eletrônicos modernos, garantindo a fluidez e a segurança no tráfego. A nova avenida não foi concebida com fins de lazer; para isto, deve-se construir o Parque. Não se pode esquecer os pedestres. Novos dispositivos para a sua segurança são necessários, caso contrário, a nova avenida poderá se transformar em novo ponto negro de atropelamentos na cidade.


O autor, Archimedes Raia Jr., é engenheiro, mestre e doutor em Engenharia de Transportes pela USP, pesquisador e professor do mestrado e doutorado em engenharia urbana da UFSCar, coordenador do Núcleo de Estudos em Trânsito, Transportes e Logística - Nestral - e-mail: raiajr@ufscar.br

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