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ETE usa plantas para tratar esgoto

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do distrito Tibiriçá foi reinaugurada na manhã de ontem, após ser refeita. A partir de agora, a obra conta com sistema apontado como inovador, denominado "Alagados Construídos", que utiliza plantas aquáticas no processo de tratamento do esgoto. O projeto instalado é resultado de uma parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru e o DAE.

A ETE Tibiriçá recebeu investimentos de R$ 600 mil e é uma estação considerada de "pequeno porte", que irá contemplar uma população de mil pessoas do distrito de Tibiriçá.

A ETE está implantada em um terreno de aproximadamente 4.558,00 m², situado na margem direita do córrego da Barra Grande Baixo, um dos afluentes do ribeirão Água Parada, na bacia do rio Batalha, a 3,6 quilômetros do trevo de acesso ao distrito, na rodovia Marechal Rondon, na altura do quilômetro 360 mais 200 metros.

Antes, a ETE Tibiriçá já fazia tratamento da água de esgoto, mas utilizava uma tecnologia ultrapassada, através de uma lagoa. "Implantamos melhorias e modificamos a tecnologia. Foram agregados tanques de tratamento chamados "Alagados Construídos", que garantem mais eficiência no sistema", ressaltou o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), André Andreolli. "Nós agregamos uma experiência acumulada da Unesp de Bauru, que é a utilização de plantas aquáticas no tratamento do esgoto. Isso é raro no Brasil, sendo que esse sistema é mais utilizado em outros países", acrescentou o prefeito Rodrigo Agostinho.

Ele explica que a estação anterior tratava o esgoto de maneira bem mais simplificada e precária. Ocasionalmente, os vazamentos na lagoa contaminavam córregos próximos dali, como o córrego da Barra Grande Baixo. "Nós tínhamos problemas esporádicos, como vazamentos de esgoto que resultavam em morte de peixes dos córregos. Inclusive, o DAE chegou a pagar várias indenizações por causa da morte desses peixes", enfatizou Agostinho.

O prefeito também fez questão de lembrar que, com a reinauguração da ETE Tibiriçá e da inauguração da 1ª Estação de Tratamento de Esgoto de Bauru, a ETE Candeia, fica zerado o lançamento de esgoto na região do ribeirão Água Parada.

"Alagados Construídos"


Tratando todo o esgoto produzido pelos aproximados mil habitantes do distrito Tibiriçá com uma vazão média de seis litros por segundo, a ETE Tibiriçá possui gradeamento grosseiro e fino, desarenador, calha Parshall, decantador primário, filtro anaeróbio de fluxo ascendente, sistema de alagados construídos, leito de desidratação de lodo e lançamento do efluente final em corpo receptor.

O sistema de tratamento denominado "Alagados Construídos" é considerado de baixo custo financeiro, apresenta operacionalidade simples, possibilita o reuso da água em atividades econômicas rentáveis e pode ser incorporado à paisagem local. O Laboratório de Águas Residuárias do DAE, instalado na Unesp/Bauru, monitora através de análises físico-químicas e bacteriológicas todo o processo de tratamento de esgoto desta estação.

Integrante a este sistema está a utilização de plantas aquáticas, como o aguapé e o papiro. "Cada uma dessas plantas faz um trabalho de purificação. O esgoto entra em um reator e depois é purificado pelas raízes dessas plantas aquáticas", informou o prefeito Rodrigo Agostinho, que também é ambientalista. "Isso dá certo em uma estação pequena. Já em Bauru, um projeto desta modalidade seria inviável, já que exigiria uma área muito grande", acrescentou.

O sistema de alagados já havia sido testado no Jardim Botânico de Bauru. "Como tivemos bons resultados, resolvemos aplicar na ETE de Tibiriçá. A ideia é que essa modalidade de tratamento de esgoto seja aplicada em cidades pequenas do País, pois seu custo é relativamente baixo e a manutenção é menor ainda", frisou o chefe do Executivo.

Durante reinauguração da ETE Tibiriçá, o professor do Departamento de Engenharia Civil da Unesp Eduardo Luiz de Oliveira explicou que o projeto dos alagados construídos não é novo. É desenvolvido em vários países, mas é fruto de muita pesquisa desenvolvida na Unesp/Bauru. Disse ainda que foram realizadas várias interferências buscando a melhoria do sistema e agora, depois de 10 anos de pesquisa, o projeto transformou a tecnologia desenvolvida no laboratório, e com resultados positivos, para a prática.

O professor também falou da parceria com o DAE no laboratório, o que está permitindo também o estudo e acompanhamento para controle da qualidade da água dos córregos de Bauru com a implantação dos interceptores de esgoto.

O prefeito Rodrigo Agostinho, durante seu pronunciamento, enfatizou que o sistema em operação na ETE Tibiriçá é um passo a mais no caminho do tratamento de esgoto da cidade, o que considera ser um grande desafio, mas que continuará buscando a meta de concluir até o final de 2012 a implantação de 100% dos interceptores para a retirada do esgoto dos córregos do município e espera liberar a licitação da ETE Vargem Limpa o mais rápido possível. Segundo ele é preciso discutir o modelo de tratamento de esgoto.

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