Internacional

Protesto contra custo da visita do papa a Madri reúne 20 mil


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Madri - Uma manifestação laica contra a ida do papa Bento XVI a Madri terminou ontem em enfrentamento entre jovens cristãos e "indignados" - movimento que tomou as praças da Espanha em maio, exigindo mais empregos.

Os dois grupos se agrediram ao encontrar-se na Porta do Sol, a principal praça da Capital espanhola e epicentro dos protestos recentes. Ao menos sete ficaram feridos e outros cinco foram detidos.

Os católicos estão desde segunda em Madri para ver o papa - que chega amanhã à cidade - e participar da 26.º Jornada Mundial da Juventude, encontro de jovens cristãos que reúne cerca de 1 milhão deles, de 137 países.

A manifestação de ontem, com mais de 20 mil pessoas, foi organizada por grupos laicos, "indignados" e até igrejas de base contrárias a Joseph Ratzinger. O principal protesto era contra os gastos do governo com visita do papa, que, segundo a organização Europa Laica, sairão em 20 milhões de euros (R$ 45 milhões).

No mesmo momento, participantes do encontro faziam procissão que, como o protesto, terminou na Porta do Sol. Lá, os dois grupos trocaram provocações. Os manifestantes vaiavam freiras e padres, gritando "pederastas" aos católicos - que respondiam com odes ao papa.

A polícia interferiu com agressões a ambos os lados e, em menos de um minuto, esvaziou toda a praça.

Um grupo de brasileiros - país com o maior número de participantes do encontro de fora da Europa - passava pelo cordão de isolamento no momento do enfrentamento. Nenhum deles ficou ferido. "Levamos um susto. Sabíamos que teria protesto, mas não fazíamos ideia de que acabaria assim", diz a missionária Janayna Rezende, 29 anos, de Cachoeira Paulista.

As tensões pelo encontro entre os grupos já preocupava ambos os lados desde a semana passada, segundo relataram representantes dos dois lados. "Sabíamos que podia acontecer algo assim porque haveria muita gente, mas demos orientação para que não revidassem as agressões", diz o coordenador de voluntários do encontro, Fernando Sols.

Os manifestantes planejam um beijo gay coletivo durante a passagem de Ratzinger.

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