Internacional

Prisão de internautas gera protestos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - A condenação de dois jovens a quatro anos de prisão por colocarem no Facebook incentivos a saques fez crescer a polêmica sobre a ação da Justiça após a onda de violência que atingiu a Inglaterra na semana passada.

Advogados, políticos e grupos de direitos humanos dizem que os juízes estão sendo influenciados pelo governo e por parte da sociedade, que pedem punições duras para servir de exemplo.

John Cooper, da Associação dos Advogados, afirma que o governo deveria se pôr de lado em vez de pressionar os juízes. Diz ainda que muitos estão definindo sentenças com raiva, influenciados pela histeria pública. Ele prevê uma onda de apelações.

Sentenças duras


Ontem, o primeiro-ministro, David Cameron, voltou a falar sobre o caso. "O que vimos nas ruas foi um comportamento absolutamente chocante, e a Justiça deve mesmo enviar uma mensagem muito clara do que é certo e do que é errado. As sentenças são duras, mas é bom que os tribunais possam aplicá-las", afirmou.

Além da severidade, muitos criticam que não há proporcionalidade. Os dois jovens foram condenados a quatro anos apesar de ninguém comparecer aos atos convocados por eles.

Já um garoto de 17 anos, que também colocou mensagens no Facebook incentivando atos de vandalismo, ficará solto. Terá de cumprir um toque de recolher por três meses, realizar trabalho comunitário e ficar longe das redes sociais por um ano.

Um outro jovem, de 23 anos, foi condenado a seis meses de prisão por roubar uma garrafa d?água durante a onda de saques.


Agravante


John Thornhill, presidente da Associação de Magistrados, diz que não há influência do governo ou do público sobre os juízes.

De acordo com ele, o fato de um roubo acontecer durante uma onda de saques é um agravante, daí as sentenças mais severas. Também há um endurecimento na concessão de solturas sob fiança.

Das cerca de 1.300 pessoas que já foram ouvidas por um juiz (nem todas foram sentenciadas), 65% continuam detidas. Antes dos tumultos, apenas 18%, na média, não obtinham liberdade após a primeira audiência.

Comentários

Comentários