Brasília - Confirmado ontem como novo ministro da Agricultura, o deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) afirmou que o lobby é uma "questão legítima, que todo mundo faz". Ele é autor de um projeto que propõe o livre acesso de lobistas ao Congresso.
Um dos motivos que levaram à demissão do ex-ministro Wagner Rossi da Agricultura foi o livre acesso de um lobista às dependências da pasta, além de suspeitas de pagamento de propina e irregularidades em licitações.
Com pouca experiência na área agrícola e rural, Mendes Ribeiro afirmou que pretende "aprender muito?? com ex-ministros da agricultura, inclusive com seu antecessor Wagner Rossi.
E disse que sua prioridade será "ouvir, ouvir e ouvir??. Em sua primeira entrevista após ter sido confirmado no cargo, ele fez vários elogios a Rossi e disse que irá procurá-lo nos próximos dias.
"Tenho muito que aprender. Quero aprender com ele (Rossi)", disse, contando que também deve se encontrar com outros ex-ministros da Agricultura.
Seu nome foi confirmado no final da noite de anteontem, em encontro no Alvorada entre a presidente Dilma Rousseff e o vice, Michel Temer. A pasta é cota do PMDB e o ministro demissionário foi escolha pessoal de Temer.
Ontem pela manhã, Dilma ligou para Mendes e fez o convite. Como a presidente estava em São Paulo, ele se reuniu com a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que divulgou nota confirmando a indicação. A posse está marcada para segunda-feira. Hoje, Dilma e Mendes Ribeiro se reúnem em Brasília.
Ao falar com a imprensa, Mendes rebateu a pergunta sobre a experiência na área afirmando vir de um Estado com tradição agrícola e pecuária, o Rio Grande do Sul.
O novo ministro disse ainda que as investigações na pasta e na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) cabem aos órgãos apropriados para investigação. "Faxina? Eu vou tratar é da agricultura", disse ele.
O projeto de regulamentação do lobby é de fevereiro deste ano e ainda não foi apreciado. Ele prevê que representantes de empresas privadas tenham direito a crachá, com acesso livre às dependências da Câmara.
O novo ministro disse que fez o projeto aconselhado pelo vice-presidente da República Michel Temer, quando presidia a Câmara.
O novo ministro da Agricultura é advogado e fez sua carreira política sem grande envolvimento com questões do campo. Com base eleitoral na capital gaúcha, está em seu quinto mandato na Câmara dos Deputados.
Entidades rurais ?desconhecem? Mendes Ribeiro
Ribeirão Preto - O novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro (PMDB-RS), é um ilustre desconhecido das instituições que representam o agronegócio brasileiro.
O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho, disse que, por não ser identificado com o setor, Ribeiro terá que ouvir bastante as instituições. "Isso (a falta de relação com a agricultura) gera uma expectativa no setor. Mas a SRB está disponível para ajudar, incentivar e passar sabedoria ao novo ministro."
O presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, disse desconhecê-lo, assim como as atividades que já tenha realizado no setor.
Já o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp), Braz Albertini, afirmou que, mesmo desconhecido, espera que ele reconheça a importância da agricultura para o País.
A exceção foi a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que o conhece das relações políticas que mantém no Congresso.
Ela disse que a escolha do nome atendeu, mais uma vez, a uma questão partidária e que espera que Mendes Ribeiro possa continuar tendo uma interlocução com o setor agropecuário.
Além de apontar, em comum, desconhecer o novo ministro, os presidentes das instituições foram unânimes em relacionar os pedidos do setor agropecuário.
Para eles, financiamento e apoio do ministério são fundamentais para a garantia de continuidade da produção agrícola. A aprovação do novo Código Florestal também foi considerada primordial pelas instituições.
"Espero que tenha a mesma conduta do Wagner Rossi (aprovação do Código Floresta), que entenda o caso e tome uma posição para proteger o ambiente e não inviabilizar a agricultura", disse Albertini.
"Para aprimorar falta muita coisa (na agricultura). Ela ainda está em construção e podemos caminhar bastante para uma melhoria", afirmou Ramalho, da SRB.