Trípoli - A história de uma miliciana de 19 anos pró-regime na Líbia foi parar na capa do jornal americano "New York Post" ontem. Apesar das feições delicadas, Nisreen Forgani já matou ao menos dez prisioneiros rebeldes, opositores do ditador Muammar Gaddafi, segundo contou ao jornal.
De acordo com o relato, membros das tropas de Gaddafi disseram que, se ela não executasse detidos com uma arma AK-47, ela seria morta.
Nisreen chegou a ser estuprada após recrutamento no ano passado, quando foi designada para a elite feminina da Guarda Popular.
As ordens de execuções começaram quando os protestos contra o regime de Gaddafi ganharam força a partir de março deste ano. A justificativa seria de que ser morto por uma mulher era a maior humilhação possível.
Nisreen contou ao jornal britânico "Daily Mail", citado pelo veículo americano, que seus superiores lhe deram um rifle na última quinta-feira e a levaram a um prédio em Trípoli. Dentro de uma sala, eles traziam um prisioneiro por vez para que ela atirasse. "Eles me disseram que se eu não matasse os prisioneiros, eles me matariam", disse. "Foram dez, talvez 11, em três dias."
A sequência só acabou quando ela conseguiu fugir por uma janela da sala de execuções. Andando pela Capital, foi capturada pelos rebeldes.
Nisreen contou que sua família não suporta Gaddafi, mas que ela foi recrutada por uma amiga de sua mãe. Após receber treinamento com outras mil meninas em Trípoli, a garota foi enviada a um quartel próximo ao Complexo Militar do ditador, ontem sob controle rebelde.
Segundo ela, a mulher que a recrutou levava as meninas da tropa para o chefe do comando a fim de que ele as violentasse. "Quando acabou, a recrutadora disse para não contar a ninguém, nem mesmo meus pais."
A reportagem diz que a garota nunca havia machucado ninguém antes das revoltas contra o regime líbio começarem e que levava uma vida normal.