A ciência econômica oferece importantes instrumentos para o controle da economia. Para o efetivo cumprimento das metas macroeconômicas, entre elas o controle da inflação e o crescimento da economia, os governos utilizam-se principalmente da política fiscal e monetária.
O Brasil ao longo dos anos optou por combinar as duas políticas, contudo, em poucos momentos da história recente criou condições para desarmar principalmente a política monetária e nesta, a política de juros.
Com um Estado inchado e gastador a política fiscal, ou seja, a arrecadação tributária e os gastos públicos, pouco foi utilizada para abrandar a necessidade de compensar esta ineficiência na gestão pública com prática de juros nas alturas.
Isso é fácil ser confirmado, basta analisar a relação carga tributária com o produto interno bruto: o país saltou de 25% em 1994, início do Plano Real, para algo em torno de 38% atualmente. Foram 13 pontos percentuais de crescimento sem que houvesse qualquer mudança estrutural no país, indicando que este aumento na arrecadação se perdeu em gastos públicos cada vez mais elevados e o que é pior, em custeio, na manutenção da máquina pública, com pouco foco em investimentos.
Neste contexto a política monetária é aplicada no sentido de compensar esta ineficiência. Juros elevados encurtam o tamanho do setor privado, controlando os preços pela inibição de demanda em vez de incentivar o aumento da oferta.
Com estas práticas o crescimento econômico não se sustenta e a política monetária (principalmente os juros) serve de moderadora, evitando que a conquista da estabilidade seja abandonada.
O governo da Dilma Rousseff tem demonstrado disposição em mudar este estado de coisas. Já no início de mandato adotou medidas neste sentido e nesta semana anunciou a ampliação do esforço fiscal para gerar sobras que permitam gradativamente desatrelar o controle econômico da política monetária.
Não é tarefa fácil à medida que economizar indica fazer escolhas. Se o comportamento político fosse racional, e não o é, seria mais fácil, mas há um jogo de interesses, emendas parlamentares, partidos de sustentação do governo, projetos que dependem de maioria, isso tudo sem falar do desafio em diminuir (já que não é possível eliminar) os desvios via corrupção, observada cotidianamente no seio do governo.
Pode-se até questionar a magnitude do ajuste ou até mesmo sua efetividade, mas uma coisa é verdadeira: o diagnóstico é correto.
Teremos somente que observar se não serão medidas somente para jogar para a torcida, com pouca aplicabilidade. Isso será comprovado quando os juros caírem, a inflação estiver controlada e o crescimento da economia se sustentar. Uma hora isso tem se tornar realidade.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC