Polícia

Advogado suspeito de fraude é preso em Lençóis Paulista

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Billy Mao/Divulgação

Carlos Alberto Martins é apontado como o

Carlos Alberto Martins é apontado como o â??cabeçaâ? de um grupo de advogados que usava dados sigilosos para fraude

O advogado Carlos Alberto Martins foi preso no fim da tarde de ontem em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) pelo suposto envolvimento no esquema da fraude milionária em torno do pagamento de perdas acumuladas dos planos econômicos Collor e Verão. O advogado, que já foi vereador de Lençóis por dois mandatos e candidato a deputado federal, é apontado como o líder da quadrilha e, de acordo com as investigações, usava até mesmo um instituto no esquema.

A investigação, que teve início em agosto de 2010, estuda um esquema de fraude que teria começado ainda em 2006, com a apropriação ilegal de documentos sigilosos de agências bancárias (extratos). A estimativa é de que a fraude gire em torno de R$ 20 milhões.

Esses documentos teriam sido vendidos à suposta quadrilha de advogados, que os utilizava para receber dinheiro em nome de pessoas que tinham direito a perdas da caderneta de poupança acumuladas na época dos planos econômicos Collor e Verão. Para receber os valores, os fraudadores (cujos nomes não foram divulgados pela Justiça) faziam uso de endereços fictícios. Na maioria dos casos, os verdadeiros beneficiários nem sabiam que tinham direito a receber tais pagamentos.

Na última quinta-feira, promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual (MPE), com o apoio da Polícia Militar (PM), cumpriram vários mandados de busca e apreensão em Bauru, Lençóis Paulista, Osasco e São Paulo. Apesar de ninguém ter sido detido, vários documentos e computadores foram apreendidos.

Entretanto, na tarde de ontem, depois de quatro dias da operação ter sido deflagrada, o advogado Carlos Martins, apontado como líder do esquema fraudulento, foi preso em Lençóis pela Força Tática da 5.ª Companhia PM, a pedido do Gaeco.

Ele foi localizado e detido por volta das 18h em sua residência, localizada na rua Moaci, no Jardim Itamaraty, próximo à região central de Lençóis. Até o fechamento desta edição, o caso estava sendo registrado no Plantão da Polícia Civil da cidade.

Segundo informações da PM, Carlos Martins passaria a noite na delegacia e, durante a manhã de hoje, seria transportado para a Cadeia Pública de Duartina.

A prisão do advogado já havia sido decretada desde a quinta-feira, porém, estava em segredo de Justiça. Horas antes da prisão ontem, ele conversou com a reportagem por telefone, alegando não saber que havia um mandado de prisão em seu nome e negando todas as acusações.

â??Eu não fiz nada ilegal. Tive acesso a um banco de dados que era lícito. Não foram comprados, mas sim fornecidos. Era um banco de dados para saber quem tinha poupanças na época do plano econômico e, hoje, teria entre 45 e 60 anos. Desse modo, enviamos requerimentos para essas pessoas entrarem em contato com a gente para que pudéssemos representá-losâ?, explica o advogado.

Veja esta notícia na íntegra na edição desta terça-feira (06) do JC.

Comentários

Comentários