Neste momento histórico em que forças políticas e alguns setores interessados discutem saídas legais para liberação e futura ocupação por indústrias de parte do cerrado que privilegia Bauru, aliás, diga-se de passagem que poucas cidades e regiões têm essa riqueza e fortuna natural, professor que sou, embora aposentado, não posso deixar de manifestar o meu ponto de vista a respeito. Primeiramente é bom que se entenda que todo professor, por sua formação, é um ambientalista por excelência, pois em sua sala de aula, seja de qualquer matéria, sempre procura transmitir a seus alunos uma cultura de amor e respeito à mãe natureza. Muito embora possam existir justificativas, promessas e intenções de compensar a derrubada de parte ou do cerrado para a implantação de indústrias com o reflorestamento artificial pelo plantio de milhares, talvez até milhões de árvores, esta compensação jamais ocorrerá, pois são consideradas florestas mortas. A natureza é sábia e pródiga, portanto, toda a diversidade que existe em uma mata ou cerrado, jamais o homem conseguirá compensar ou substituir, apesar do domínio da tecnologia. Jamais conseguirá repor os animais e pássaros, as flores, as fontes de água, os ventos, a amenidade do clima ou temperatura ambiente. As poucas matas e cerrados restantes em grande parte do Brasil e em nossa região são os pulmões naturais que condicionam a qualidade do ar que respiramos. Diminuí-los ou erradicá-los equivaleria à extirpação dos pulmões naturais. Vemos diuturnamente a,través da mídia televisionada, as catástrofes naturais que assolam partes do nosso planeta e que não são nada mais do que respostas às agressões feitas pelo homem.
No caso de Bauru, que não seja imitada à irracionalidade dos cartolas do futebol que estão demolindo o estádio de futebol "Mané Garrincha", em Brasília, para a construção de um novo no mesmo lugar.. com outro nome a custos enormes. Fato incompreensível para uma região do planalto central onde existe tanta terra disponível. Sim. Há justificativas, porém não convincentes. Nas adjacências de nossa cidade e região rural há muitas grandes áreas já desmatadas legal e ilegalmente. Pergunto: por que não criar novos distritos ou micro-distritos industriais para a implantação de futuras indústrias? Por que derrubar para criar. Onde está a criatividade política e humana? Já está na hora de pensarmos grande, na Grande Bauru, no seu futuro milhão de habitantes! Está na hora de se pensar em termos de região, pois do mesmo modo como aconteceu a globalização do planeta, acontecerá o mesmo fenômeno social com a aglutinação de muitos municípios em macrorregiões. Portanto, por que também não se pensar no encaminhamento daquelas indústrias que não encontram as áreas desejadas em Bauru para os nossos municípios vizinhos que ofereçam condições? É preferível que uma grande indústria se instale em Agudos, Arealva, Avaí, Iacanga, Piratininga, , Presidente Alves ou Pirajuí, municípios que estão oferecendo grandes áreas já desmatadas, do que na região de Campinas, Rio Preto, ou Sorocaba. Está na hora de os prefeitos se unirem para um objetivo comum. Porque, direta ou indiretamente, muita riqueza advirá para Bauru pelos mais variados modos e meios e a região já oferece uma excelente infra-estrutura. Quanto mais desenvolverem esses municípios, maior será o desenvolvimento de Bauru trilhando o caminho para uma metrópole. Os leitores certamente concordarão que todo o movimento girará em torno de nossa cidade, porque ela está destinada a tornar-se o centro de uma macrorregião. Devemos vislumbrar, não um sonho, mas a realidade da grande Bauru! Portanto, deixemos o cerrado em paz e que nossos filhos também saibam respeitá-lo, após aprenderem a lição conosco!
O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor e colaborador de Opinião