Após um longo período quebrado, o veículo utilizado para realizar o transporte de animais de grande porte soltos de forma irregular nas vias públicas de Bauru irá retomar as atividades. Entretanto, mesmo com o conserto, as Organizações Não-Governamentais (ONGs) não estão otimistas. Segundo elas, além de um caminhão ser pouco para atender a demanda, os problemas no referido veículo devem continuar.
O problema foi denunciado pelo JC no mês passado. Na ocasião, após reclamações de diversos moradores do Jardim Aeroporto de que um cavalo de pelagem marrom caminhava pelas ruas do bairro, descobriu-se que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) estava com o caminhão quebrado e, por isso, não podia fazer o transporte do animal.
Com o conserto do veículo esta semana, o quadro melhora. Entretanto, de forma parcial e temporária. É o que afirma a presidente da ONG Naturae Vitae, Fátima Schroeder. "Em outras vezes, já acionamos o serviço e o caminhão estava quebrado. Acho que o ideal seria comprar um novo em vez de consertar. Além disso, um caminhão é pouco para atender a demanda", aponta.
A reportagem acionou a assessoria de comunicação da prefeitura para entrevistar os responsáveis pelo CCZ, porém, não foi possível o contato com os mesmos. Desse modo, não se sabe há quanto tempo o veículo estava quebrado.
Ainda pela assessoria, a Divisão de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde informa que o serviço será prestado para todas as regiões de Bauru, além de atender ainda a demanda de órgãos estaduais estabelecidos na cidade e eventuais necessidades de outros municípios da região.
Fátima Schroeder explica que o serviço é fundamental, uma vez que, sem ele, tanto a população quanto órgãos do terceiro setor ficam de "mãos atadas". "Quando um cachorro ou um gato tem um problema, nós damos um jeito de fazer o transporte. Mas, em cavalos e bois isso fica impossível. Geralmente, temos que pagar do nosso bolso e contratar alguém. E muitas vezes essa pessoa demora e não conseguimos segurar o animal", conta.
O problema de animais de grande porte soltos em Bauru já se tornou uma constante. Frequentemente o JC divulga casos em que cavalos e bois passeiam livremente pelas ruas da cidade. Em alguns dos casos, eles estão em vias bastante movimentadas, o que representa grande perigo.
Proprietário
Uma das grandes dificuldades em todos os casos é identificar o proprietário do animal. Caso encontrado, o indiciamento varia de acordo com as consequências de cada caso. A punição pode progredir desde o crime previsto no artigo 132, que é a periclitação da vida ou saúde de outro, e resulta em três meses a um ano de prisão ou até mesmo em penas maiores, como homicídio culposo, ou em outros casos, com dolo eventual, ou seja, quando o proprietário assumiu o risco e as consequências de deixar um animal solto.
Com o caminhão do CCZ consertado, o proprietário do animal recolhido também sentirá no bolso. Após a apreensão, o responsável fica sujeito ao pagamento do valor máximo de R$ 185,00 pela permanência do animal nas dependências do órgão, além da multa que varia de R$ 50,00 a R$ 3.500,00, conforme a reincidência do ato.
O responsável tem o prazo de cinco dias para retirá-los. Caso não o faça, os animais ficam à disposição da prefeitura que poderá doá-los para uso em ações beneficentes, se apresentarem bom estado de saúde.
Caso visualize algum animal de grande porte solto em via pública, a população deverá entrar em contato com o setor responsável pelo serviço de recolhimento por meio do telefone 3281-1746 de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Nos demais horários, finais de semana e feriados, deve-se acionar a Polícia Militar (PM) pelo 190.
Rodovias
Além das vias públicas, animais soltos nas rodovias representam outro grande perigo. No mês passado, uma ambulância da cidade de Paulistânia se chocou com um boi no quilômetro 238 mais 900 metros da rodovia Bauru-Ipaussu e deixou quatro pessoas feridas.
Entretanto, a responsabilidade em recolher os animais soltos nas pistas não é do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). A população deve entrar em contato com as concessionárias administradoras das rodovias para realizar o serviço.