"Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá", já dizia Gonçalves Dias em um dos seus famosos versos românticos, onde demonstra sua grande admiração pela paisagem do nosso país, um lugar tão belo, porém com tantos problemas, onde um dos principais é a precariedade da saúde tanto pública como privada. Contudo, quero registrar a minha indignação perante um fato ocorrido na escola em que trabalho, em Bauru, onde um aluno sofreu um ataque epiléptico na manhã desta última quinta-feira e não havia uma viatura disponível para atender a ocorrência. Acionamos os serviços de urgência como o Corpo de Bombeiros e o Samu (Serviço de atendimento móvel de urgência) e o médico ali presente disse que até chegar ao local demoraria muito e que era melhor colocar o garoto em algum carro e levá-lo até o Pronto-Socorro.
Na mesma hora a mãe do aluno disse que o mesmo tinha plano de saúde São Lucas e, ouvindo isso, o médico pediu para ela ligar para o convênio. Quando fomos ligar, a recepcionista disse que o plano não cobria o serviço de ambulância. A mãe disse que o plano era completo, mas como não podíamos perder tempo, pois o aluno estava no chão, sem pulsação e passando mal, ligamos para o Resgate.
Após muito tempo de espera, uma equipe de Samu chegou ao local e socorreu o aluno. Um verdadeiro descaso ao ser humano pagador de impostos! Não estou falando de algum alimento estragado, de um objeto quebrado, uma roupa rasgada ou mal costurada. Estamos lidando com pacientes, com vida. "Minha terra tem carnaval, tem futebol e políticos corruptos, mas não tem saúde".
É deplorável!
Amanda Alamino