Internacional

Evo suspende obra, mas não segura crise


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La Paz - A decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, de suspender a construção de uma estrada financiada pelo Brasil não conseguiu estancar a crise política: indígenas anunciaram que seguirão mobilizados e setores urbanos, incluindo a maior central sindical boliviana, prometem fazer greve amanhã.

Acuado pelos protestos contra a repressão violenta aos manifestantes antirrodovia no último domingo, Morales anunciou anteontem a interrupção das obras, a cargo da brasileira OAS.

O presidente não precisou se a paralisação só afetaria o trecho polêmico - o 2, que cortará um parque nacional de 1,1 milhão de hectares e que nem começou a ser construído - ou abarcará toda a estrada. Os trechos 1 e 3 já estão em obras.Crise internaOntem, o porta-voz da OAS na Bolívia, Pablo Siles, informou que, para cumprir o contrato, a construtora seguirá trabalhando nos setores 1 e 3 da rodovia até receber uma notificação oficial. Até as 20h (de Brasília) de ontem, não havia contato formal do governo com a empresa.

Ontem, os grupos indígenas amazônicos mobilizados contra a estrada decidiram seguir com a marcha a La Paz, dissolvida pela polícia no domingo. Os líderes amazônicos afirmam que as medidas do governo Morales visam apenas "distrair" os manifestantes e ganhar tempo. Argumentam que a plataforma de reivindicações com o governo não se resume à estrada.

A pauta envolve também novas titulações de terras indígenas e consultas prévias para a instalação de projetos de exploração de gás e petróleo em seus territórios.

A crise também faz estragos no governo. Depois da renúncia da ministra da Defesa, Cecilia Chacón, hoje foi destituído do cargo o ministro do Interior, Marcos Farfán, acusado de ordenar a repressão violenta aos indígenas.

Parlamentares do governista MAS prometem sabatinar ministros envolvidos na ação.

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