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Clínica interditada pela Vigilância Sanitária ainda acolhia idosos

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Na manhã de ontem, o que era para ser um ambiente de calmaria e sossego na zona rural do bairro Pousada 2, em Bauru, virou cenário de polícia. No local, a Clínica Geriátrica Solarís, que foi interditada há oito dias pela Vigilância Sanitária, abrigava ainda duas idosas. De acordo com o que a reportagem apurou, além do boletim de ocorrência (BO) registrado ontem, a clínica é alvo de mais duas denúncias, inclusive uma que resultou na morte de uma idosa.

Ontem, a Vigilância Sanitária flagrou a irregularidade mais recente. O órgão, que havia interditado o estabelecimento particular no último dia 21, voltou ao imóvel para checar a situação. Lá, encontrou o local reaberto e, além da proprietária, havia duas idosas, com idades de 81 e 76 anos (os nomes não foram divulgados).

A Polícia Militar (PM) e a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) foram acionados para apurar a situação. O delegado Silberto Sevilha, titular do 2.º Distrito Policial (DP), responsável pelas investigações, também foi até o local.

A interdição da clínica ocorreu dias depois de denúncias de maus-tratos a um idoso de 79 anos. Segundo os familiares da suposta vítima, ele entrou na clínica em perfeitas situações de saúde. Depois de mais de duas semanas no local, foi transferido para o Hospital Estadual (HE), onde teve umas das pernas amputadas.

Apesar de a interdição ter ocorrido logo depois da denúncia, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Bauru não confirma que esse seja o motivo do local ter sido lacrado. Segundo a assessoria, esse motivo não pode ser revelado por "segredo de justiça".

A reportagem do JC foi proibida pela proprietária Edna Leopoldo Noronha dos Santos de entrar na clínica. No fim da tarde, ela foi contatada, porém, não quis se pronunciar. Segundo o que foi apurado, Edna dos Santos alegou às autoridades que as idosas já estavam lá quando o abrigo foi interditado e, por isso, não tinham para onde ir.

Darlene Tendolo, titular da Sebes, entretanto, nega a versão apresentada. Segundo ela, todos os idosos já não estavam no local quando a clinica foi fechada. Dos 18 abrigados, parte voltou para os familiares e o restante foi transferido pela secretaria para um abrigo da Sociedade Beneficente Cristã.

Foi para essa mesma instituição que, no fim da tarde, as duas idosas encontradas ontem foram levadas. A titular da Sebes afirma que a situação é inadmissível, uma vez que a clínica estava legalmente lacrada. Além disso, os cartões de benefícios previdenciários dos idosos, segundo a secretária, não estavam com elas. "Estavam com uma outra pessoa que nem estava no local. Tivemos que acioná-lo para que fossem devolvidos."

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Inquérito irá apurar várias denúncias


Após a denúncia de que a Clínica Geriátrica Solarís, mesmo interditada, estava abrigando idosos, o delegado Silberto Sevilha, titular do 2.º Distrito Policial (DP), foi até o estabelecimento. Segundo ele, será aberto um inquérito para apurar o caso.

"Temos que verificar se essas idosas foram para lá depois que estava fechado ou se já estavam lá. A proprietária afirma que elas ficaram na clínica pois não tinham para onde ir. A Sebes afirma o contrário. É um quadro complexo que precisa ser analisado com cuidado", pondera o delegado.

Por conta do ocorrido, foi registrado Boletim de Ocorrência (BO) de crime contra o idoso. No fim da tarde, a Polícia Científica foi acionada e realizou a perícia no local. O laudo deve apontar se o ambiente é propício a maus-tratos.

De acordo com Silberto Sevilha, além dessa denúncia, a clínica já possui outras acusações. Fora a do início deste mês, em que um idoso teve a perna amputada, o delegado conta que outro abrigado morreu há um ano no local.

Therezinha Anteveri Sardinha, 84 anos, morreu no dia 22 de setembro do ano passado depois de uma semana na clínica. O caso gerou um inquérito que está sendo investigado até hoje.

"Foi registrado como morte natural. Porém, estamos apurando. É um imbróglio grande. Precisamos saber o estado que ela estava quando deu entrada na clínica. É algo que estamos investigando", completa o delegado.

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