Política

Falta água até bem perto do DAE e moradores cobram ação imediata

Por Vinícius Lousada | Colaborou Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 6 min

O tempo quente e a estiagem têm afetado a distribuição de água em Bauru, segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE). Nos últimos dias, têm "chovido" reclamações de moradores de todas as partes da cidade sobre a falta de água nas torneiras. O curioso é que algumas das residências afetadas são vizinhas do prédio administrativo da empresa, na rua Padre João. No entanto, não falta água no DAE, apenas na vizinhança.

A engenheira civil Ana Lúcia Bueno, que mora a poucos metros do prédio da autarquia, na quadra 19 da rua Gustavo Maciel, afirma que o problema na região é frequente. "Aqui em casa a gente usa pouco, mas muitos vizinhos têm problemas constantes. Só sai um fiozinho de água, falta pressão", relata.

De acordo com a munícipe, empresas próximas dessa região também têm sido afetadas nos últimos dias. "O problema é quase diário e as consequências são muito ruins. Existem pessoas doentes, que são particularmente mais prejudicadas", contou.

Ana Lúcia chegou a afirmar que o próprio prédio do DAE teria ficado sem água, mas a autarquia não confirma a informação. "Temos um bom sistema de reservação. Não sei dizer se na ligação de água houve interrupção", afirmou o diretor da Divisão de Produção e Reservação da autarquia, Igor Fournier.

O diretor afirma que o problema está sendo ocasionado pelo período de calor e escassez de chuvas. Segundo o DAE, todos os poços estão em pleno funcionamento e a captação e o tratamento de água do rio Batalha estão em seus limites máximos de operação.

No Altos da Cidade, o abastecimento é realizado a partir da Estação de Tratamento de Água (ETA). No entanto, Fournier explica que o problema não é restrito ao local. "Estamos fazendo manobras no abastecimento para que nenhum local fique sem água durante todo o tempo", pontuou.

Segundo ele, o problema no abastecimento poderá seguir nos próximos meses com a chegada do calor, ou seja, de mais calor. A diferença é que, no verão, a tendência natural é que aumente o volume de chuvas, o que vai refletir em menor consumo de água. Para o diretor do DAE, este é o problema atual. A população está consumindo muita água para lavar carro, calçada, regar jardim, etc, demanda que diminui quando há chuva.


Economia

O DAE enviou nota, semana passada, solicitando aos consumidores do município que economizem água, evitando, por exemplo, lavagem de calçadas e quintais. A autarquia orienta também para que sejam revistas as caixas d?água dos imóveis de acordo com as suas necessidades, na proporção mínima de 500 litros por dormitório, visando suportar períodos de interrupção no fornecimento de água devido a manobras e manutenções no sistema.

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?Estou perdendo clientes?, diz comerciante

A falta de água generalizada em Bauru está tirando o sono e acabando com a paciência de muita gente. As reclamações vêm de todos os cantos, até mesmo da zona sul, considerada pelos moradores como uma região privilegiada da cidade por ser o principal reduto das famílias mais abastadas.

Um empresário que pediu para não ter o nome revelado procurou a reportagem inconformado com a situação em que vive a cidade atualmente. Ele é dono de um restaurante na avenida Getúlio Vargas. Sem água, não consegue lavar os pratos, fazer comida para atender os clientes e nem oferecer um banheiro com condições de higiene adequadas.

Segundo ele, as pessoas que frequentam o restaurante fazem parte de um público exigente, que não tolera uma prestação de serviço precária. "Por causa disso, estou perdendo clientes. Estou passando por um constrangimento muito grande. Tenho de usar baldes para levar água até a cozinha", reclama.

O empresário disse já ter ligado várias vezes para o DAE e procurado pessoalmente a autarquia para cobrar providências, mas, segundo ele, nada foi feito. Diante do problema, ele registrou, inclusive, boletim de ocorrência na última sexta-feira e acionou a Justiça solicitando que o DAE forneça a água que ele precisa para o correto funcionamento do restaurante.

Uma moradora da Vila Souto, que também pediu para não ter o nome divulgado, disse à reportagem que a falta de água em sua residência está completando quase um mês. "Eu chego do trabalho e não tem água. Ela chega de madrugada e quando são 8 horas da manhã para de novo", relata. Segundo ela, a água que fica reservada na caixa, a família usa para tomar banho, fazer comida e para descargas no banheiro. Enquanto isso, a pilha de roupas sujas só vai aumentando.

Um morador da Vila Cardia também ligou para o JC reclamando. Ele contou que toda a vizinhança está revoltada e que estão todos estranhando a situação porque isso não ocorreu nos anos anteriores. "Mas de uns 20 dias para cá, esse transtorno virou rotina. Quem tem caixa d?água grande ainda consegue se virar, mas quem não tem está perdido", diz.

João Carlos da Silva, morador da Vila Dutra, disse que o bairro está sem água desde a manhã de anteontem. Ele conversou com a reportagem ontem à tarde e o abastecimento ainda não havia voltado ao normal, segundo o morador. "Não temos água para usar no banheiro. Os moradores estão tendo de urinar no quintal de casa. É muito constrangimento. Ainda mais quando recebemos visitas", critica.

Roberto Lima de Almeida, morador do bairro Beija-Flor, relata que na região leste da cidade, principalmente no bairro onde mora e adjacências, a população sente a falta de água todos os finais de semana. Segundo ele, começa a faltar no sábado cedo e só volta no domingo à noite.

Ele conta que chega a mandar mensagens para o prefeito Rodrigo Agostinho reclamando da situação, mas nunca obteve respostas. Roberto cobra inclusive uma atuação mais firme dos vereadores diante do problema. "O que estão fazendo? Ou só vão começar a fazer no ano que vem?", questiona ele, fazendo referência às eleições municipais.

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Desperdício com vazamentos é de 40%


O diretor da Divisão de Produção e Reservação do DAE, Igor Fournier, aponta também a expansão imobiliária como uma das responsáveis pelo aumento na demanda por água. Segundo Igor, a cidade está repleta de novos empreendimentos e isso provoca impacto no consumo. Para evitar efeito ainda pior, ele conta que o município tem exigido dos novos empreendedores a abertura de novos poços ou a instalação de reservatórios.

De acordo com o próprio DAE, são registrados, em média, cerca de 100 vazamentos de água todos os dias. A estimativa é de que a cidade perde aproximadamente 40% de toda água que entra no sistema de abastecimento. Boa parte desses vazamentos nem é notada. A água que escapa do encanamento nem chega à superfície. Quando isso ocorre (da água "subir"), é porque a quantidade desperdiçada é tanta que a terra não é mais capaz de absorvê-la.

Segundo Igor, até o fim do ano deverão entrar em funcionamento dois poços artesianos (Vila Cardia e Marabá) e três reservatórios (Vila Cardia, Núcleo Octávio Rasi e Mary Dota).

Os novos poços passarão a atender uma região da cidade que é abastecida atualmente pelas águas do rio Batalha. Com isso, em tese, sobrará mais água na lagoa de captação do Batalha para atender a parte da cidade, cerca de 40%, atendida por esta fonte.

No entanto, o diretor admite que o problema só seria resolvido com mais investimentos e também com a criação de um Plano Diretor das Águas. Segundo ele, além de aumentar a captação de água, é preciso um plano de ação para reduzir as perdas com vazamentos e outras fontes. Mas estas são demandas de alto custo que exigem investimentos pesados, algo que a prefeitura não tem condições de fazer atualmente.

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