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Tentativa de tirar comercial de Gisele Bündchen do ar é censura, diz ministro


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Brasília - O ministro Moreira Franco (Secretaria de Assuntos Estratégicos) classificou de “censura” a decisão do governo de pedir a suspensão do comercial em que a modelo Gisele Bündchen aparece de lingerie para mostrar a “melhor maneira” de dar uma má notícia ao marido.

A iniciativa partiu da Secretaria de Políticas para as Mulheres, chefiada pela ministra Iriny Lopes, que acionou o Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária (Conar) para que suspenda a propaganda por considerá-la ofensiva à imagem da mulher.

Além da ministra, consumidores também provocaram o conselho neste sentido após ela se posicionar. “Acabo de ler que tiraram do ar o comercial da Giselle B. Lamentável! A justificativa é fraca. Isto é censura, arbitrariedade. E isto jamais”, escreveu o ministro em sua página no Twitter.

A propaganda não foi retirada do ar. O Conar, que tem poderes para fazer essa sugestão, ainda analisa o caso. “É censura. Acho que problema dessa natureza não se resolve pela proibição. Não é coibindo que se impõe valores”, disse o ministro à reportagem.

O ministro afirmou que não está fazendo críticas a sua colega de governo, apenas se manifestou sobre a situação. “Não foi uma iniciativa só dela. Houve outras manifestações ao encontro do que ela falou. Temos que construir valores e não se constrói com proibições, mas com conversa, debate.”

O ex-governador José Serra (PSDB) também usou o Twitter para criticar o posicionamento do governo sobre o comercial. “Se houvesse bom senso, o governo deveria parar de pressionar contra o comercial da Gisele Bündchen. Um teatro do absurdo.”

Na peça publicitária, Gisele aparece usando roupas normais para falar, por exemplo, que bateu o carro. A estratégia é classificada como “errada” e em seguida a forma “correta” é mostrada: a modelo repete a notícia, usando apenas lingerie. “Você é brasileira, use seu charme”, conclui a peça publicitária, que está no ar desde o último dia 18.

As denúncias recebidas pelo Conar consideraram que a campanha da Hope não tratou com respeito a condição feminina.

A assessoria da Hope negou que houvesse qualquer intenção “sexista” na campanha.

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