Economia & Negócios

Natal abre temporada de sair do SPC

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 6 min

Douglas Reis

A 80 dias do Natal, as lojas de Bauru já oferecem enfeites para a decoração e outros itens específicos do final de ano

O período de Natal não combina com o nome do consumidor “sujo” na praça. Para reverter essa situação ruim para o comércio e para os clientes, está aberta a “temporada” de reabilitação do crédito em Bauru. A dívida dos inadimplentes com o comércio bauruense nos últimos cinco anos soma quase R$ 24 milhões, conforme dados da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Contudo, o Natal é um indutor desta movimentação com as pessoas também recorrendo ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) para renegociar suas dívidas e “limpar” o nome.

O economista diretor de uma empresa de semijoias, Wagner Ismanhoto, garante que o comércio está de braços abertos esperando os devedores para um acordo. Ele cita que uma fatia considerável de consumidores está motivada a regularizar suas pendências, devido também ao aumento de renda para aquisição de bens.

O presidente da CDL de Bauru, Sérgio Evandro do Amaral Motta, explica que, no quarto trimestre do ano, é normal o aumento do número de pessoas com o nome com restrição cadastral no SPC. Ele esclarece que as inclusões no cadastro do órgão se mantêm estáveis em Bauru nos últimos quatro anos.

No ano passado foram incluídas 27.434 pessoas no cadastro do SPC. Neste ano, até 30 de setembro, o número de inclusões era de 18.429. Motta diz que, a partir deste mês, o comércio enviará os nomes dos clientes com débitos vencidos para inclusão no cadastro do SPC e, por consequência, o número de inadimplentes com o comércio cresça nos próximos meses.

No mesmo embalo, porém em ação inversa, o consumidor deve buscar uma recomposição dos débitos para poder voltar a comprar no comércio sem restrição de crédito. “O SPC existe para dar crédito e não para penalizar ninguém”, relembra Motta.

 

Compras

Segundo o presidente da CDL, nos meses de outubro, novembro e mesmo em dezembro, os devedores procuram o comércio para uma recomposição da dívida. O recebimento de parte do 13º salário impulsiona a regularização do cadastro de bom pagador para que o comprador vá às compras de final de ano.

Motta explica que, atualmente, grande parte dos endividados se “enrola” para pagar o cartão de crédito. No entanto, as lojas de eletrodomésticos e móveis ainda respondem por grande parte do endividamento efetuado com o carnê, devido ao parcelamento entre 24 e 36 meses. O cartão de crédito tem prazos de parcelamento muito inferiores em relação ao carnê.

O presidente da CDL avalia que o consumidor, por diversos contratempos, opta por manter os pagamentos das necessidades básicas, como alimentação, aluguel, luz, água, farmácia e escola.

O consumidor também costuma priorizar o pagamento em dia de financiamento de carros e motos, segundo Motta, devido ao risco iminente da perda do bem. “As lojas procuram fazer uma acordo quando está inadimplente”, contrapõe.

Várias empresas de Bauru autorizam a CDL a renegociar o débito dos inadimplentes. Motta comenta que há várias condições de negociação, com vantagens para o consumidor sair do SPC. Ele cita que há possibilidade de parcelar a dívida, derrubar juros, numa composição para que se defina o pagamento da dívida.

 

Acordo ou briga?

O economista Wagner Ismanhoto ressalta que, no fim do ano, todos querem trocar presentes no Natal, mudar de carro, arrumar a casa, viajar e não há dinheiro que atenda todos os desejos. Então, o nome precisa estar “limpo” no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) para fazer compras parceladas.

Ismanhoto define que um acordo é a medida mais razoável para quem está com o nome na lista de devedores e, também, para o comerciante que acumula o prejuízo. Com a experiência de quem é diretor de uma empresa comercial, o economista define que deixar o caso ir parar na Justiça é um mau negócio.

“Todo mundo sabe que uma negociação razoável é melhor do que uma boa briga. Especialmente no final do ano, as vendas aumentam e a busca por crédito cresce, e é natural que ocorra o movimento por parte dos devedores para limpar o nome”, ressalta.

Ele destaca como desvantagens de uma ação de cobrança judicial a lentidão do Poder Judiciário e os custos. “Quando chegar no final da história, se o juiz entender que o sujeito não tem condição de pagar, vai dividir em 800 vezes”, define.

Ele explica que é natural um movimento das pessoas no sentido de reabilitar seu crédito nos meses que antecedem o Natal. Ismanhoto cita que o consumidor vivencia um misto de tradição com necessidade. De um lado, o brasileiro tem a cultura da compra a prazo e, de outro, sua renda é insuficiente para aquisições à vista.  “O brasileiro foi sendo doutrinado que, para ter as coisas, é necessário contrair dívida”, ressalta.

 

Magia de Natal atrai consumidor com novidades

Faltando pouco para o Dia das Crianças, os lojistas se preparam para receber os consumidores mirins e já lançaram as novidades em decoração para o Natal 2011. Que tal um Papai Noel com guarda-roupa remodelado com novas cores em substituição à tradicional vestimenta vermelha? Tem “Bom Velhinho” de marrom, lilás, bege, branco e outras opções de cores.

Os enfeites simbolizando o Natal fazem brilhar os olhos dos bauruenses e visitantes de fora que antecipam as compras de enfeites para o Natal. Na quadra 6 do Calçadão, a loja de utilidades domésticas expõe uma árvore pequena vestida de Papai Noel, dançando e emitindo música de enredo natalino.

A vendedora Célia Regina Rodrigues já faz os preparativos para o final de ano e é do tipo que gosta do tradicional mesclado com as indispensáveis novidades que movem as vendas a cada nova temporada de final de ano.

“Dezembro é um mês gostoso porque é uma fantasia da infância”, comenta. Ela aprova a antecipação dos produtos de Natal para escolher com calma. “Também anima a gastar mais”, pontua. A consumidora diz que, às vezes, compra por impulso, porém gosta mesmo é de pesquisar com tranquilidade. Ontem, ela lançava um olhar encantado sobre as novidades do setor de enfeites natalinos, aproveitando a folga do almoço.

O encarregado de loja Valdecir Barsoti conta que a antecipação responde a pedidos da clientela que não quer deixar a compra de novidades para o próximo mês temendo não encontrar o objeto de decoração apropriado ao tema que pretende criar para enfeitar sua casa, o escritório, o comércio, a sede da empresa. 

A loja da Batista tratou de reforçar a variedade de cada item. Tem a bola de árvore tradicional ao lado das enfeitadas. Serpentinas de luzes, uma variedade ofuscante para áreas externas e interiores. As árvores também correspondem aos gostos os mais variados. Há também outros personagens paramentados de Papai Noel para variar: de barba branca e longa, cinto e botas pretas, casacão e calça vermelha e bochechas rosadas, de todos os tamanhos e materiais diferentes. É Natal em outubro.

 

Comentários

Comentários