Internacional

Bispo sul-africano Tutu comemora seus 80 anos em meio a polêmica


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Johannesburgo - O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ícone da paz, comemorou seu 80.º aniversário ontem na igreja onde pregou sermões contra o apartheid, poucos dias depois de dizer que o antigo movimento de libertação que hoje está no governo é, sob alguns aspectos, ainda pior.

Tutu, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1984 por manifestar-se contra o governo da minoria branca, ainda é uma das figuras mais famosas do mundo e é largamente visto como o norte moral da África do Sul.

Roqueiros, políticos e pessoas comuns da paróquia lotaram a catedral St. George, na Cidade do Cabo, para uma missa em homenagem ao homem que faz parte de um painel de estadistas globais.

Um dia antes, Tutu espalhou sua gargalhada por cerimônias separadas de aniversário e subiu ao palco com uma trupe de dança africana. "Há apenas um astro do rock nesta sala, e é o arcebispo Desmond Tutu", disse o vocalista do U2, Bono, uma das celebridades que participaram dos três dias de comemorações.

Ao mesmo tempo em que os parabéns não param de chegar, as festividades foram maculadas por uma disputa com o partido Congresso Nacional Africano (CNA) por este não ter dado visto de entrada ao Dalai Lama, convidado por Tutu para os festejos.

Tutu regularmente critica o Congresso Nacional Africano, no poder desde o fim do apartheid, em 1994, mas sua explosão esta semana foi uma das mais duras e suscitou grande preocupação no partido governista.

Tutu disse que o fato de o CNA não ter autorizado a entrada no país do Dalai Lama, também Prêmio Nobel da Paz, equivale à submissão à China, maior parceira comercial da África do Sul, acusando o partido de comportar-se pior que os antigos governantes da minoria branca.

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