A verba anual de cerca de R$ 2 milhões que o Dade destina para a Estância de Barra Bonita tem destino certo. Depois de recapear as vias urbanas, iluminar a orla e instalar câmeras de monitoramento, a cidade pretende transformar o prédio da antiga rodoviária em um novo Memorial do Rio Tietê.
O anúncio é feito pelo diretor de turismo do município, Ivan Franco Pinheiro Machado. “Para o ano que vem estamos estudante um projeto de remodelação da praça da Juventude que fica no centro turístico e um novo memorial do Tietê. A obra já teve recurso federal, porém precisa ser complementado com recurso estadual. É a antiga rodoviária. Ali vai ser instalado um novo memorial do Tietê com um auditório e um centro de informações turística. Temos também o caso da a mini cidade da criança que deve passar por uma reforma.”
No ano passado, o recurso do Dade foi utilizado para refazer toda a iluminação da orla turística da cidade e possibilitou ainda a instalação do sistema de câmeras de monitoramento em toda a extensão turística. “Já foi feito todo o recape da mesma área.”
Com o recurso do Dade, a prefeitura remodelou o kartódromo. “O local foi visitado pelo pessoal da Federação Brasileira de Automobilismo. Ainda faltam algumas coisas mas já pode sediar uma etapa do campeonato paulista. O kartódromo fica na orla turística. A gente tem trazido alguns eventos para o rio Tietê. Este ano, em março, sediamos uma etapa do campeonato brasileiro de jet- ski.”
O objetivo da estância que possui em torno de 36 mil habitantes e aumentar o número de turistas que visitam Barra anualmente. “Recebemos cerca de 200 mil turistas/anuais. Essa contagem é de quem faz o passeio da eclusa. O turismo da região não há cálculo. Creio que a cada final de semana, a cidade recebe oito mil visitantes.”
Além da eclusagem, o forte do turismo local, a estância oferece outras opções aos visitantes. O passeio de bonde é outro atrativo. “Temos um pavilhão de exposições que abriga várias atividades, campeonato de dança anual, dentre outros. A área tem 3.200 metros quadrados todo climatizado.”
Em dezembro, um evento religioso em comemoração a Nossa Senhora dos Estudantes atrai inúmeros visitantes. “O evento é realizado há mais de 50 anos e tem atraído muita gente. É o turismo religioso.”
O que ainda falta
O apelo da eclusa é bastante forte, mas não basta para alavancar o turismo em Barra Bonita. É preciso ter outros ‘atributos’, conclui o diretor de turismo, Ivan Machado. “No item hotéis estamos bem servidos. Um deles é referência nacional e os demais acolhem bem os visitantes. Igaraçu do Tietê também tem hotéis bons e é muito próximo.”
Para superar os entraves, a cidade tem trabalhado em conjunto com outros municípios da região. “Estamos trabalhando num roteiro turístico denominado Caminhos do Tietê que envolve nove cidades. Aqui ainda falta um restaurante temático.”
Arremates finais
Na opinião do diretor de turismo, Ivan Machado, em Barra Bonita ainda faltam arremates que exigem investimentos futuros. “Especialmente investimentos privados. Um festival gastronômico, por exemplo. Na cidade de Parati (RJ) tem o festival literário, nesses moldes poderíamos usar o espaço do pavilhão municipal e movimentar o turismo. É claro que não podemos acolher um evento dessa magnitude, mas temos como realizar um menor.”
No próximo mês, anuncia o secretário, Barra sediará um encontro de motociclismo. “Que já é tradicional. A cidade tem esse potencial, fica próximo ao rio e tem uma orla muito bonita.”
Ele acredita que investir na infra-estrutura e oferecer o melhor para a população, pode atrair investimentos privados. “Investimos no sistema de limpeza , cuidado com as praças públicas. Com certeza isso vai atrair empresários, apesar do processo ser lento, é uma filosofia de trabalho. A gente acredita que grandes eventos ainda não tem sentido para a gente. Nesse momento, não temos um local adequado para isso. Tudo que é bom para população é bom para o turista. Eu acho que é esse o caminho.”
Ponte Campos Salles aguarda reforma
A Ponte Campos Salles que liga Barra a Igaraçu é uma obra de arte que está deteriorada, necessita de reforma. Cartão de visitas, ela foi importada da Alemanha e depende de uma verba muito alta para o conserto, avalia o diretor. “A verba do Dade tem critérios para ser utilizada, só pode ser usada dentro do município. A ponte não é de Barra e nem de Igaraçu. Na última inspeção foi feita uma estimativa de valor a ser gasto para recuperá-la, algo em torno de R$ 9 milhões, há mais de cinco anos. Em sua última visita à cidade, o governador Geraldo Alckmin prometeu reformá-la.”
Capital Nacional do Bordado é estância turística desde 92
A Estância Turística de Ibitinga (90 quilômetros) é nacionalmente conhecida por seus bordados, mas possui outros ‘atributos’ a contabilizar. O Pantanal Paulista e o encontro da Águas do Tietê com o Jacaré-Guaçu são duas belezas proporcionadas pelos recursos naturais.
Os atrativos turísticos são os responsáveis pelos mais de 350 mil turistas que passam anualmente pela cidade, sejam eles para compras, turismo de negócios, para as celebrações religiosas ou para curtir uma das belezas naturais.
A confecção do bordado tornou a Estância de Ibitinga nacionalmente conhecida. Em função do papel que ela exerce no mercado de enxovais foi ‘rebatizada’ de “A Capital Nacional do Bordado”.
O secretário de Turismo do município, João Gabriel Marrone ressalta que a economia local está concentrada na produção do bordado. “Cerca de 80% da economia vem do bordado. É através desse ‘produto’ que somos conhecidos no Brasil e no exterior. O ano todo recebemos turistas que chegam de todas as partes para aquisição dos enxovais.”
É no mês de julho que a cidade recebe o maior número de turista. Há 38 anos, a cidade realiza a Feira do Bordado de Ibitinga. “No próximo ano, o evento chega a 39ª edição. São aproximadamente 70 empresas que expõem seus produtos de cama, mesa, banho, decoração e bebê, produzidos na cidade.
Mais de 15 mil pessoas visitam a cidade de Ibitinga durante a celebração de Corpus Christi, geralmente no mês de junho. São 12 ruas decoradas para a passagem da procissão. A população cobre o asfalto com peças bordadas doadas pelas empresas. Após a passagem da procissão, os bordados são vendidos e o recurso arrecadado vai para uma entidade assistencial que cuida de crianças e idosos.
A decoração começa por volta da uma hora da madrugada e quatro ou cinco horas depois, todas as ruas estão prontos. Nesse mesmo horário, segundo o secretário de turismo, começam a chegar as excursões da região e de todo o estado.
A feira de artesanato que acontece aos sábados no Centro da cidade a partir das 5h da manhã é outro atrativo turístico. De acordo com Marrone, ali são comercializados produtos bordados, mas confeccionados de forma artesanal. “Bichos de pelúcia, semaninhas, capa de travesseiros. A feira acaba por volta das 13h e os turistas começam então a visitar as lojas do mesmo segmento.”
Beleza natural ainda não é explorada
Pouca gente conhece, mas no município de Ibitinga existe um pantanal. Batizado de Pantanal Paulista ele é uma miniatura do sul matogrossense. Animais silvestres e fauna preservados com pouca visitação. Uma verdadeira joia guardada.
Segundo o secretário de turismo, o rio é cheio de curvas e forma um verdadeiro pantanal. “Ibitinga cresceu no turismo de negócios, mas ainda não explora suas belezas naturais. Estamos em busca de empresas, iniciativa privada que desenvolva passeios. Os visitantes que querem, atualmente, conhecer, não tem como.”
A visitação e visualização do pantanal paulista só é possível porque alguns empresários da cidade possuem suas aeronaves. “Tem um passeio feito por pequenas aeronaves, mas ainda não está totalmente regulamentado pela Anac. Não existe este roteiro. Estamos trabalhando em cima disso para fazer os passeios acontecerem com mais frequência.”
Nesse sentido, a secretaria tem boas novas para contar. A partir de janeiro, será desenvolvido um passeio que envolve Barra Bonita, Jaú e Ibitinga. Vai contemplar o Encontro das Águas do Tietê com o Jacaré-Guaçu, compras de bordado e compras de sapatos em Jaú.