Rural

Programa contra plantação irregular será prorrogado


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O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, anunciou hoje que o programa Moratória da Soja será renovado por mais um ano. "Moratória é palavra provisória, mas vamos estender por mais uma safra", disse, em entrevista à imprensa. O programa foi instituído há cinco anos e conta com a participação de agricultores, empresas, governo e sociedade civil.

De acordo com o executivo, o Brasil está mudando e é preciso se ajustar ao processo, que está em metamorfose. "Até 31 de janeiro de 2013 vamos fazer os controles. Com mais força e mais entusiasmo." Ele salientou que, ao prorrogar a participação no programa, as empresas do setor se comprometem a não comprar nem financiar soja oriunda de áreas desmatadas.

Lovatelli enfatizou que a produção de soja ocupa menos de 0,5% da área total aberta no bioma Amazônia. "A soja não é o principal vetor de desmatamento no bioma amazônico."


Código Florestal


O impasse da votação do Código Florestal no Congresso está sendo usado como alegação para que novos produtores de soja não se cadastrem no programa Moratória da Soja, disse o coordenador da campanha de Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário. "Eles preferem aguardar a votação do Código", afirmou.

Na avaliação de Adário, o debate no Congresso é fundamental, pois pode levar a um retrocesso na legislação brasileira. "Isso vai tornar a moratória mais do que nunca importante." Conforme o coordenador, não é difícil identificar as áreas desmatadas. "Difícil é saber quem desmatou. A cara de quem fez isso não está impressa nas fotos de satélites", disse.

As entidades que representam a indústria de soja brasileira querem promover o Cadastro Ambiental Rural (CAR) entre os produtores. O CAR é um instrumento público de regularização ambiental com informações básicas das propriedades rurais, como perímetro das fazendas e quantidade de vegetação remanescente. As informações são públicas.

Na avaliação do coordenador de Paulo Adário, o CAR é fundamental para que a indústria possa monitorar a moratória e garantir ao consumidor um produto livre de desmatamento. "Agora é necessário o estabelecimento de metas, especialmente em municípios onde o desmatamento aumentou", disse.

O presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, explicou que é preciso convencer o agricultor a fazer o cadastro. "Tem que fazer produtor tomar iniciativa e querer fazer. Não podemos vincular um CAR à compra da soja em um primeiro momento", afirmou. Segundo ele, não existe uma meta numérica para o programa. "Vamos iniciar o processo já."

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