Bairros

Bauru registra 7 casos de gripe suína

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Arquivo/Éder Azevedo

Em 2009, quando houve grande campanha de vacinação, foram 187 casos

Após a confirmação da primeira morte em Bauru por gripe A (H1N1) - a gripe suína - neste ano, a Secretaria Municipal de Saúde informou, ontem, que a cidade já registrou outros sete casos recentes da doença. As vítimas, que já receberam tratamento, foram identificadas entre agosto e setembro por meio de um programa de monitoramento estabelecido pelo município desde o surto ocorrido em 2009.

Neste mês, nenhum outro caso foi detectado além do da comerciante de 42 anos que morreu no último dia 9. Ela teria sido contaminada pelo vírus influenza A (H1N1) dentro da própria cidade, já que não teria realizado nenhuma viagem recente.

“O vírus não desapareceu, continua circulando, tanto é que em 2011 já há vários casos em diversas partes do Brasil”, aponta o secretário de Saúde Fernando Monti. A morte em Bauru foi a primeira do ano em todo o Estado de São Paulo e a 15ª no País.

As demais vítimas de Bauru, segundo Monti, foram identificadas depois de procurarem o Pronto-Socorro Central (PSC) com sintomas clássicos da doença. A partir de um trabalho realizado em parceria com o grupo vigilância epidemiológica VigiGripe, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Instituto Adolfo Lutz, houve coleta de material biológico para a realização de exames laboratoriais e os resultados chegaram anteontem ao conhecimento da pasta.

“Mas não dá para dizer ainda se há uma tendência para novas ocorrências ou se estes foram casos isolados. Implantamos um trabalho de vigilância ativa desde 2009, porém, trata-se de uma amostragem. Pode ser que haja mais casos, mas teremos de aguardar mais um pouco para avaliar a situação”, adianta Monti.

O monitoramento foi também estabelecido em 2010, mas o secretário não soube informar quantos doentes foram identificados naquele ano. Em 2009, quando a gripe suína atingiu o ápice da contaminação, foram notificados 187 casos e oito mortes em Bauru. A última vítima fatal antes da comerciante havia sido um bebê de apenas 5 meses, que morreu em 20 de outubro de 2009.

Monti, entretanto, não acredita que a cidade esteja na iminência de viver, novamente, o surto registrado há exatos dois anos, principalmente porque, neste intervalo, mais da metade da população bauruense foi vacinada contra três tipos específicos do vírus influenza, dentre eles o H1N1.

A medida, segundo ele, foi importante para criar uma barreira de proteção que não pode ser desconsiderada. “Antes da campanha de imunização, todas as pessoas eram suscetíveis. Pode até ser que surja um novo variante viral, mas esta é apenas uma suposição”, observa.

 

 

Alerta


Mesmo diante do controle oferecido pela vacinação, Monti adianta que a secretaria irá lançar, na próxima semana, um documento de alerta a todos os profissionais de saúde, para que fiquem atentos aos quadros de síndrome gripal. O objetivo é que os pacientes que apresentarem sintomas clássicos da doença possam receber tratamento adequado o quanto antes.

“Iremos oferecer instruções a estes profissionais sobre como proceder, principalmente se o paciente apresentar uma comorbidade, como obesidade, ou condição associada, como uma gestação”, aponta. De acordo Monti, que é médico infectologista, o fosfato de oseltamivir (tamiflu), medicamento indicado para o tratamento da gripe suína, só tem o efeito esperado se ministrado até 48 horas depois do início da doença.

Segundo informações de parentes, a mulher que morreu neste mês manifestou os primeiros sintomas no dia 30 de setembro, mas só começou a ser tratada com tamiflu no dia 4 de outubro, quando foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular da cidade. Segundo o secretário, o medicamento fica armazenado no Hospital Estadual e no Centro de Referência de Moléstias Infecciosas do município para ser distribuído gratuitamente a todas as unidades de saúde públicas e privadas de Bauru.

 

 

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