Economia & Negócios

Produção de veículos crescerá 46%


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As novas fábricas de automóveis que serão construídas até 2015 e a ampliação das já existentes vão adicionar ao mercado brasileiro uma capacidade produtiva similar a do Canadá, de 2 milhões de veículos ao ano.

Apesar do significativo número de novas marcas que chegarão ao País, como as chinesas Chery e JAC, metade desse volume virá dos projetos de expansão das quatro maiores fabricantes atuais. Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen prometem adicionar quase 1 milhão de automóveis com ampliação de suas linhas ou construção de novas fábricas.

Diante da ameaça asiática, as montadoras veteranas vão se esforçar para garantir suas posições no mercado brasileiro, um dos mais cobiçados no setor automobilístico mundial pelo fato de continuar crescendo em meio a uma crise global, ainda que mais lentamente.

A indústria local tem capacidade para produzir 4,3 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus por ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Com os projetos já anunciados, esse potencial vai a 6,3 milhões, dependendo da quantidade de turnos de trabalho em cada fábrica. Um crescimento de 46,5%.

A estimativa das fabricantes e das empresas de consultorias é de um mercado doméstico de 4 milhões de veículos em 2014, chegando a 5 milhões em 2018 e 6 milhões em 2020, incluindo modelos importados. Grande parte dos planos anunciados vislumbra o consumo interno e alguma exportação para países da América do Sul.

Somente as empresas associadas à Anfavea têm planos de investimento de US$ 21 bilhões nos próximos cinco anos, uma média de US$ 4,2 bilhões por ano, bem acima da média do período de 2007 a 2010, de US$ 2,9 bilhões, e da fase anterior, entre 2004 e 2006, quando foram investidos apenas US$ 1,2 bilhão por ano.

Para o especialista em indústria automobilística e presidente do Lean Institute, José Roberto Ferro, apesar de toda a competição dos últimos anos com a chegada de novas marcas, as quatro grandes montadoras continuam dominando o mercado e a tendência é de que não ocorram mudanças significativas nessa lista.

"Nos próximos cinco anos não vai mudar nada, e as quatro grandes vão continuar na frente", avalia Ferro. Segundo ele, além de ampliar capacidade produtiva, essas companhias têm rede de distribuição espalhada por todo o País, garantindo maior capilaridade.

Ferro admite, entretanto, que a fatia do grupo no bolo de vendas possa ser menor que a atual. Hoje, Fiat, Volkswagen, GM e Ford detêm 67% das vendas totais de carros novos, participação que era de 85% em 2000.


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?Há espaço para todos?


As novatas que chegam para dividir ainda mais o bolo do mercado brasileiro, quarto maior do mundo, atrás de China, Estados Unidos e Japão, são as chinesas Chery, JAC, Lifan e Great Wall, a coreana Hyundai, a japonesa Suzuki e possivelmente a alemã BMW.

"Um mercado como o nosso atrai todo o mundo, e certamente haverá uma divisão maior na participação do mercado de cada marca, mas há espaço para todos", diz André Beer, ex-dirigente da General Motors do Brasil e sócio da André Beer Consult & Associados.

Com dinheiro em caixa e seguindo desafio da matriz alemã de fazer do grupo Volkswagen o maior do mundo até 2018, ultrapassando Toyota e General Motors, a Volkswagen do Brasil vai decidir nos próximos meses se amplia uma de suas três fábricas de automóveis no País (em São Bernardo do Campo, Taubaté ou São José dos Pinhais) ou se constrói mais uma filial.

O grupo tem capacidade para produzir 3,5 mil carros por dia e vai ampliar o volume para 4 mil a 4,5 mil, informa o presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall. O plano de investimento de R$ 8,7 bilhões para o período 2010-2016 será reforçado.

"Estamos negociando com seis Estados", informa Schmall, entre os quais São Paulo e Paraná - onde o grupo já tem fábricas - e Pernambuco, escolhido pela Fiat para abrigar sua segunda unidade, que ficará pronta em 2014, um projeto de R$ 3 bilhões.

As japonesas Toyota e Nissan também terão mais uma fábrica cada no País, respectivamente, em Sorocaba, interior de São Paulo, e Resende, no Rio.

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