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Assessores ajudaram a livrar ONG


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Brasília - Dois assessores do ministro Orlando Silva (Esporte) orientaram o policial João Dias Ferreira, delator (veja quadro) de um suposto esquema de desvios na pasta para abastecer o PC do B, a se livrar de uma investigação da Polícia Militar sobre irregularidades num convênio com o ministério.

Segundo diálogos reproduzidos pela revista “Veja”, Fábio Hansen, então chefe de gabinete da Secretaria de Esporte Educacional, e Charles Rocha, da secretaria-executiva, orientam Ferreira a driblar um oficio enviado pelo próprio ministério à PM.

Em meio à discussão sobre um ofício enviado pelo ministério à Polícia Militar do DF, cobrando providência contra as irregularidades praticadas por Ferreira em convênio com a pasta, Fábio Hansen sugere “tentar remediar a merda que foi feita”.

“Isso é um absurdo, está errado, antes de mais nada está errado. Como é que você está sendo cobrado em R$ 3 milhões (valor dos convênios)?”, disse Hansen na reunião, segundo a “Veja”.

Hansen sugeriu, então, a João Dias: “você faz três linhas pedindo a prorrogação do prazo (da prestação de contas)”. Segundo a “Veja”, houve ainda a recomendação de uma fraude para colocar no pedido de prorrogação uma data anterior à notificação enviada à PM.

Atualmente, cabe a Hansen “acompanhar o processo de seleção de propostas e de formalização de convênios”, além de coordenar a execução de convênios para “subsidiar a análise técnica da prestação de contas”. Charles já deixou a pasta.

Na hierarquia da pasta, Hansen está diretamente abaixo de Wadson Ribeiro, secretário de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social, responsável pelo programa Segundo Tempo, foco das irregularidades.

Na prática, a estratégia traçada pelos assessores do ministério atrasou em mais um de um ano a sindicância feita pela PM contra João Dias Ferreira.

O primeiro ofício foi enviado no dia 2 abril de 2008. No dia 7, João Dias pede prorrogação de prazo para prestação de contas e, no mesmo dia, o ministério pede para a polícia desconsiderar o pedido de providências. Segundo a “Veja”, a conversa entre os assessores e Ferreira ocorreu naquele mesmo mês.

Depois disso, o Ministério do Esporte levou um ano e quatro meses até que, em agosto de 2009, informa à Polícia Militar que havia sido aberta uma tomada de contas para levantar o prejuízo causado por João Dias.

O soldado está, há uma semana, no centro de uma crise que abala o Ministério do Esporte. Dono de duas ONGs que fizeram convênios com a pasta, ele é cobrado na Justiça a devolver mais de R$ 3 milhões. João Dias Ferreira afirma que o dinheiro foi desviado para abastecer o PC do B, partido de Orlando Silva.

Sobre a acusação direta contra Orlando, o soldado não apresentou provas. O ministro nega, e segue mantido no cargo pela presidente Dilma Rousseff.

Ministério do Esporte ainda não se manifestou sobre a reportagem publicada pela revista “Veja”. Durante a semana, o ministro Orlando Silva disse que a mudança de prazo e o pedido para que a Polícia Militar desconsiderasse informações enviadas anteriormente foi uma “atitude colaborativa” da pasta e que foi dado “direito de defesa” para as entidades de João Dias Ferreira.

O assessor do Ministério do Esporte, Fábio Hansen, não foi localizado pela reportagem.

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