Entre os blues chorosos de Amy Winehouse, morta em julho passado, e o pop animadinho de Katy Perry, as duas famosas cantoras têm em comum a inspiração para seus looks. Amy, com o topetão e os vestidinhos estruturados. Katy, com o cabelinho à la Dita Von Teese. É o que aponta a professora de História da Moda Denise Pollini.
"Amy abusava da referência dona-de-casa-anos-50 e formava seu estilo soul-pop-retrô, ainda que de maneira caricata. Já Katy lembra Dita Von Teese na beleza, no cabelo e no figurino." O segredo para reciclar referências, diz Denise, é temperar o estilo original, atual, com elementos retrô.
Exemplo disso é a apresentadora de TV e produtora musical Julia Petit. Colecionadora de peças vintage, ela é fã dos anos 20 e 40. "São referências elegantes e femininas, um estilo atemporal. Você pode colocar uma peça dos anos 20, mas não fica datada. Eu amo", diz.
Denise Pollini contextualiza: "A mistura de tendências passadas é totalmente compreensível numa sociedade com tanta sofisticação visual e referências."
A tendência nostálgica impulsionou os negócios dos sócios Anderson Napoles, de 33 anos, e Thiago Cecco, de 31. Adeptos do estilo rock?n?roll dos nos 40, 50 e 60, eles comemoram a abertura da terceira loja da Barbearia 9, especializada em barba e cabelo à moda antiga: clientes são atendidos em pesadas cadeiras de ferro cromado.
O corte à navalha é seguido de toalha quente. Segundo Thiago, o comércio nasceu da ideia de recriar o ambiente das antigas barbearias. "É um resgate dos velhos hábitos, tão esquecidos", conta. "Homens de qualquer idade e estilo podem cuidar da aparência num santuário para cavalheiros."
Apelo sentimental
A onda vintage tirou dos baús os pinguins de geladeira, revigorou os eletrodomésticos coloridos, tornou estilosos os móveis quadradões. Se os anos 90 condenava esses itens, ícones dos anos 40,50,60, 70 e ufa, 80 foram absolvidos pelos entendidos do décor.
O publicitário Leonardo Alves, de 31 anos, dá lugar de honra ao seu pinguim, na queridinha da casa, uma geladeira preta de pontas arredondadas dos anos 60, que veio da casa do avô e virou bibelô, assim como armários e uma vitrola. "Misturo estilos para meu apartamento não virar museu", diz. "Essas peças têm apelo sentimental."
Os redutos para apreciadores de estilo vintage oferecem peças originais antigas, como a feirinha de antiguidades do vão livre do Masp, aos domingos, na avenida Paulista, que tem mais de 30 anos de existência e é parada obrigatória da legião nostálgica.
No mesmo estilo, mas menos voltado a antiguidades e com o foco em música e filmes, a feirinha da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista, é outro programão, aos sábados. "O antigo nunca sai de moda. O que mudou é o publico, que está mais jovem", diz George Sampaio, presidente da Associação de Antiquários de São Paulo.
Seja qual for sua era preferida, vale o conselho da estilista Coco Chanel: "A moda é reflexo da época. Mas se a época for estúpida, esqueçam-na."
Os anos 80, ainda que recentes, são a última coqueluche dos adeptos do retrô. O sucesso é comprovado com a Feira Expo Retrô - anos 80, promovida pela 2001, que também relança o DVD do filme ?A Garota de Rosa-Shocking?, clássico dos teen-movies da década. A mostra terá objetos icônicos do período, como discos de vinil e fitas cassete, brinquedos, figurinos e eletrônicos.