Rio - A Corregedoria-Geral da PM apreendeu um carregamento de 2.600 latas de cerveja no final da tarde de anteontem, no Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar, em Benfica, zona norte do Rio. Lá ficam 300 policiais militares presos.
Segundo o corregedor-geral, coronel Waldyr Soares Filho, ainda não se sabe de onde partiu a ordem de entrega da mercadoria, suficiente para abastecer por uma semana os policiais presos ou para regar alguma festa na prisão para policiais.
“Nós temos lá 300 internos, dez latas para cada um dá 3 mil. Daria uma lata de cerveja por dia para cada preso, por uma semana. Ou dez latinhas para cada um em uma festa”, disse o coronel.
“Mas se eles queriam fazer festa, quebraram a cara e vão ter que fazer festa com água agora”, afirmou.
A entrega do carregamento de cerveja está sendo investigada e um policial já foi preso sob suspeita de acobertar a entrada da caminhonete que levava a bebida. O nome do policial preso não foi divulgado pela Polícia Militar.
O motorista da caminhonete, que não teve o nome divulgado, disse que não sabia para quem ia a carga.
A informação sobre o carregamento de cerveja chegou à PM no sábado e o local passou a ser monitorado.
O batalhão prisional é um foco de problemas para a Secretaria de Segurança. Em setembro, o ex-PM Carlos Ari Ribeiro, condenado por envolvimento com milícias e por homicídio, fugiu pela porta da frente do batalhão. Uma sindicância investiga se houve conivência de policiais para a fuga.
Um ano antes da fuga, Ribeiro foi fotografado comemorando seu aniversário com uma grande festa no presídio. Nas imagens, ele e seus convidados aparecem em mesas repletas de comida e bebida. As fotos foram divulgadas pelo jornal “Extra”.
O uso de joias e roupas de grife por policiais presos também vem sendo investigada pelo serviço de inteligência da corporação.
No último mês, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse que os prisioneiros da unidade passariam a usar uniforme. A data da implantação da medida, porém, não foi divulgada. Outra medida a ser tomada, segundo o secretário, é a mudança do local onde fica instalado o batalhão prisional, mas ainda não há previsão do Estado de quando isso acontecerá.