Rio - A Polícia Militar do Rio de Janeiro (PM-RJ) estuda limitar a participação de jornalistas em suas operações após a morte do cinegrafista Gelson Domingos, da TV Bandeirantes, baleado durante um tiroteio na Favela de Antares, zona oeste da Capital fluminense. A corporação pretende discutir com representantes da imprensa a criação de procedimentos para evitar que os profissionais fiquem expostos em situações de confronto.
Para entidades que representam os profissionais de imprensa, o papel de estabelecer limites para a cobertura cabe aos próprios jornalistas e às empresas - não à polícia. O diretor do International News Safety Institute (INSI) na América Latina, Marcelo Moreira, afirma que os repórteres devem cumprir seu papel, desde que recebam treinamento específico e tenham equipamento adequado para garantir sua segurança.
O Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, por outro lado, defende uma reavaliação da cobertura de situações de conflito.
Suspeitos presos
Dois homens suspeitos de matar o repórter cinematográfico da TV Bandeirantes foram presos ontem, na favela de Antares, em Santa Cruz, zona oeste do Rio. As prisões foram feitas por policiais do 27.º Batalhão (Santa Cruz). Segundo a PM, um dos suspeitos é parecido com o atirador que aparece nas imagens feitas pelo próprio Gelson momentos antes de morrer.
Os suspeitos estavam em uma motocicleta e com eles, segundo a PM, havia uma pistola e cerca de 400 papelotes de cocaína. Segundo policiais civis da 35.ª Delegacia (Campo Grande), eles serão encaminhados para a Divisão de Homicídios, que investiga o caso, na Barra da Tijuca, também na zona oeste.
Cerca de 250 pessoas, entre parentes e amigos do repórter cinematográfico acompanharam o enterro do corpo do profissional na tarde de ontem, no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária do Rio. “Ele cumpriu sua missão e morreu no que ele gostava de fazer. Fica a saudade”, destacou o irmão do cinegrafista, Jair Domingos.
Ainda de acordo com Jair, colegas de trabalho de Gelson disseram que o cinegrafista fez preces do trajeto da redação à favela de Antares. “Parecia que ele estava prevendo algo. Antes de morrer, ele orou e pediu muito a Deus dentro do carro da TV. E eu peço que Deus venha abençoar todos da imprensa que trabalham nesse risco”, disse emocionado.