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Condenável invasão da reitoria da USP

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 3 min

Durante os anos difíceis da ditadura militar no Brasil, por diversas vezes estudantes capitaneados pela UNE (União Nacional dos Estudantes) condenaram e se revoltaram contra a invasão do câmpus da USP e de outras universidades no país. O falecido coronel Erasmo Dias, então secretário da Segurança Pública, em SP, comandou invasão ao câmpus da PUC em SP num episódio deprimente. Talvez esteja neste aspecto um dos grandes erros da ditadura militar, que com sua truculência matou a renovação de futuras lideranças estudantis.

Hoje temos a falência da UNE, que vive da esmola de verbas federais e jamais voltou a formar alguma liderança desde a década de oitenta. E nem sequer participa do debate sobre a educação e seus projetos em todo país. Entretanto, em São Paulo assistimos a um episódio lamentável, onde a truculência, a intransigência e a defesa de interesses mesquinhos e ignóbeis ficam acima dos interesses da maioria dos estudantes da USP. Depois de dois assassinatos de jovens estudantes, a comunidade estudantil exigiu a presença da Polícia Militar para auxiliar na segurança do câmpus da USP junto ao governo paulista. Depois de muita discussão, foi firmado um convênio entre a administração da USP e o governo estadual para que fossem efetuadas rondas no câmpus pela PM.

Tudo corria tranquilamente até que alguns alunos foram flagrados consumindo drogas dentro do câmpus da universidade. A PM tentou de autuá-los em uma delegacia para que fossem tomadas as medidas legais. Entretanto, os alunos infratores conseguiram se esconder dentro das salas de aula e não puderam ser presos. Começava então um episódio que se arrasta há alguns dias, onde há alguns alunos que defendem a liberação da maconha e não querem a polícia no câmpus contra a lei. Eles invadiram como sempre a sede da Reitoria da USP, quebrando equipamentos, sujando tudo e mostrando a nossa sociedade que é preciso haver uma reavaliação de para quem estamos pagando com nossos impostos para estudarem na melhor universidade da América do Sul. Que tipo de alunos a USP está formando para amanhã ingressar no mercado de trabalho? Que tipo de cidadão tem medo da polícia e coloca a maconha à frente dos seus interesses? Quem são estes alunos? Onde estão seus pais?

Qual a razão de a USP não expulsar estes meliantes que, por trás do discurso surrado da liberdade de ir e vir, escondem o desejo latente de impunidade para o uso de drogas? Quem são os traficantes que abastecem os alunos da melhor e maior universidade do nosso país? Perguntas que precisam ser respondidas pelo reitor, o governador, os pais dos alunos, bem como todo conjunto da sociedade brasileira. Basta de maus exemplos, chega de impunidade. O câmpus de uma universidade é sagrado desde que seja utilizado para finalidades acadêmicas e em prol do saber e da sociedade, quando, ao contrário, é franqueado a bandidos travestidos de estudantes, precisa ser revisto e limpo, com urgência.


O autor, Rafael Moia Filho, é dirigente da Bauru Transparente - Batra - e colaborador de Opinião

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