Bairros

Contribuinte lota Poupatempo para negociar débitos com a prefeitura

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

Neide de Lourdes Ferreira lamentou um dia a menos procurando emprego para tentar renegociar dívida

O contribuinte bauruense que não quis perder a data final para negociar as dívidas com a Prefeitura de Bauru, ontem, relativas aos anos de 2007 e 2008 precisou de doses extras de paciência nas filas. Os setores de triagem de atendimento e de finanças da administração municipal lotaram a unidade do Poupatempo durante toda a manhã de ontem. Cerca de 720 pessoas foram atendidas, e outras receberam senha para retornar hoje. Não foi divulgado balanço dos valores negociados.

A administração estava negociando o pagamento em atraso de ISS, IPTU e demais taxas municipais, incluindo a isenção de acréscimo de valores de custas judiciais e honorários, relativos ao encaminhamento das certidões de débito para cobrança judicial.

Grande parte das pessoas estava com cartas de cobrança extrajudicial com data de comparecimento agendada para ontem. Os convocados se misturavam a contribuintes que não receberam correspondência, outros sem notificação e que pretendiam negociar débitos, e pessoas com outras datas de vencimento. Conclusão: tumulto, filas e espera que geraram muitas reclamações.

Uma gestante ganhou duas senhas preferenciais, da triagem e do atendimento, e reclamou que chegou 9h30 e às 11h15 não havia sido atendida para regularizar as dívidas de IPTU com a carta extrajudicial com data determinando seu comparecimento impreterivelmente ontem. “Não sei quando vou sair daqui”, reclamou, amparada pelo esposo que a acompanhava.

Já a gestante Emilene Dantas Silva, também usufruiu do benefício da senha preferencial e comemorou a negociação realizada de débitos de IPTU relativos aos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010. Ela vai começar a pagar a negociação hoje. Silva avaliou que o atendimento preferencial fluía bem. “Mas na outra fila, ouvi muita reclamação”, explica.

 

Tudo isso?

Euclides Roberto da Silva, 61 anos, o Betinho, árbitro de futebol de Bauru, levou um susto com o valor cobrado após negociar. Ele estimava pagar cerca de R$ 140,00 devidos de IPTU de 2008 e 2009. Porém, saiu com um débito de R$ 207,32, para quitar até o dia 30 deste mês.

“Não entendo a diferença alta e foi a primeira carta que recebo”, disse contrariado. Ele alega ter pago, no ano passado, o valor a mais junto com o IPTU de 2010. A diferença cobrada extrajudicialmente seria de uma ampliação em seu imóvel localizado na avenida Castelo Branco, obra realizada no final dos anos 80.

Betinho recebeu a cobrança extrajudicial anteontem e, calejado com o atendimento da prefeitura, preferiu se antecipar. O contribuinte diz que pretende recorrer, porque o cálculo lhe pareceu “confuso”.

A desempregada Neide de Lourdes Ferreira ouviu dizer que a data final para negociação era ontem e não teve dúvidas em procurar a Prefeitura de Bauru. Porém, perdeu um dia de busca por uma nova colocação no mercado de trabalho.

No entanto, a contribuinte saiu como entrou porque, ao ver a grande fila, ela desistiu de buscar informações na triagem. “Agora, não sei como vou fazer”, lamenta. Ela não recebeu a correspondência de cobrança, mas quis se beneficiar dos descontos para acertar dívidas de IPTU.

Comentários

Comentários