Consumidores da zona Sul de Bauru foram surpreendidos com a emissão de contas de consumo de água com valor muito acima do normal, no início desta semana. O sistema de dados informatizados do Departamento de Água e Esgoto (DAE) sofreu adulteração. A fraude atingiu 4.000 contas, mas as diretorias de informática e financeira conseguiram interromper os registros adulterados e cessar o problema.
Ainda assim, a autarquia confirma que 400 endereços da Zona Sul tiveram contas emitidas com valor a pagar indevidos. O DAE garante que corrigiu as faturas para esses endereços e já realizou a entrega do documento com o valor a pagar corrigido.
O maior problema no episódio, entretanto, está em indicativos de possível boicote, possivelmente praticado por servidor que tem acesso aos sistema de dados. A fraude não envolve leituristas. Os profissionais que colhem as informações de consumo de água diretamente nos endereços (residenciais, comerciais e industriais) não têm acesso ao sistema de dados internos, conforme a direção de informática. Os coletores apenas registram os consumos obtidos dos hidrômetros, na rua, e, simultaneamente, a máquina automaticamente emite as contas. A fatura é entregue na hora para cada endereço.
Portanto, a adulteração em consumos de água, para maior, só pode ter origem em duas áreas ligadas ao Serviço de Informática do DAE. Segundo o diretor do setor, Daniel Simões Garcia, a base de dados com o registro do histórico de consumo de cada unidade consumidora bauruense é manipulada em duas fases.
O Serviço de Informática atua na área conhecida como de “remessa de dados”, em uma das ações realizadas por servidores que detém senhas do sistema. A outra fase informatizada com acesso ao sistema é chamada de “concentrador”, onde está o software que gerencia as informações obtidas das máquinas coletoras.
A verificação das adulterações vai exigir perícia e o sistema informatizado, a princípio, reúne informações de histórico de entrada e de manipulação de dados. Isso significa que o relatório terá condições de identificar qual senha (cada servidor com acesso ao sistema tem uma de uso pessoal e intransferível) atuou durante a fraude. Outra informação possível é identificar em qual PC a fraude foi realizada, já que o banco de dados também permite localizar o IP (identificador específico de cada computador).
O operador da fraude tinha necessariamente de ter senha para adentrar ao sistema e, neste, realizar a adulteração nos registros de consumo. Essas informações foram alimentadas ao coletor repassado ao leiturista que foi às ruas realizar o devido registro do consum o nos hidrômetros.
Investigação
As informações preliminares relacionadas à fraude já foram encaminhadas à Polícia Civil e, conforme o delegado Milton Bassoto Júnior, estão sendo objeto de investigação.
O registro da ocorrência aponta que chamou a atenção reclamação de consumidores junto à Central de Atendimento do DAE, no início da semana. O valor elevado de contas emitidas na Zona Sul levou a direção de informática a fazer a checagem do banco de dados. A ação permitir confirmar que houve alteração de dados de consumo diretamente no sistema.
O diretor Jurídico do DAE, Leandro Lopes, reafirmou que já foram refeitas e entregues as 400 contas em que foram confirmados os erros na cobrança em razão da adulteração.