Regional

Funcionário confirma a fabricação ilegal de palmitos em P. Alves

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Presidente Alves – Funcionário da fábrica de palmitos clandestina descoberta anteontem pela Polícia Militar Ambiental no subsolo do prédio do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru), onde já funcionou a Santa Casa da cidade, confirmou em depoimento prestado ontem na delegacia que o produto era beneficiado no local e, posteriormente, revendido a estabelecimentos da região. Pelo fato da fábrica funcionar nas dependências de um órgão da prefeitura, as investigações sobre o caso devem ficar a cargo da Delegacia Seccional de Polícia de Bauru.

Conforme apurado pelo Jornal da Cidade, o funcionário, que não teve a identidade revelada, negou a versão da prefeitura de que, no local, era oferecido um curso de capacitação em beneficiamento de palmito a mulheres de baixa renda. Segundo ele, o produto “in natura” era beneficiado no imóvel, colocado em potes de vidros e comercializado junto a donos de restaurantes, bares e pizzarias da região. A fábrica não possuía alvará de funcionamento da Vigilância Sanitária.

Na manhã de anteontem, após denúncia anônima informando sobre a existência de fábrica clandestina de palmito no subsolo de um imóvel na rua Vereador Luiz Michelan Filho, equipes da Polícia Ambiental foram até o local e apreenderam 36,3 quilos do produto, além de três panelas de pressão industriais, 14 vidros pequenos e mais nove vidros grandes com palmito, ácido, recipientes vazios de vidro, cadernos de anotações, entre outros objetos.

Na residência de Antônio Dorival Caro, 54 anos, que se identificou como responsável pela fábrica, os policiais localizaram mais 573,5 quilos de palmito prontos para venda, armazenados em 185 potes de vidro. Como não apresentaram nota fiscal do produto, ele e o proprietário do prédio, Urbano Papile Vaneza, 35 anos, foram conduzidos à delegacia e autuados em flagrante por crime contra a saúde pública, além de receberem multa por crime ambiental. Após serem ouvidos, eles foram liberados.

Em nota, a prefeitura informou que Caro procurou a administração com a intenção de abrir na cidade empresa para beneficiar e vender palmito. “A Prefeitura fez acordo para oferecer às mulheres de baixar renda do município curso de capacitação em beneficiamento de palmito. Há aproximadamente um mês, o curso teve início na sede do Cras”, explica. “No local, apenas instruções para formação das participantes do curso estavam autorizadas”.

Na próxima segunda-feira, o inquérito instaurado pela delegacia do município deve ser encaminhado à Delegacia Seccional de Polícia de Bauru. De acordo com o delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão, a medida busca garantir “tranquilidade” ao processo de investigação. “Isso é feito para preservar (o delegado de Presidente Alves) e evitar pressão”, salienta. Ele ressalta que, num primeiro momento, a prefeita Sandra Regina Sclauzer de Andrade (PT) não está sendo investigada.

No entanto, no decorrer do inquérito, de acordo com ele, a polícia irá apurar as circunstâncias em que ocorreu a cessão do espaço aonde a fábrica clandestina de palmitos funcionava. Se ficar comprovado que a prefeita sabia das irregularidades, ela poderá responder na esfera civil por improbidade administrativa. Até o final da tarde de ontem, o Ministério Público (MP) não havia instaurado qualquer procedimento para investigar a conduta da chefe do Executivo.

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