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Isento do IR, título agropecuário atrai mais investidores

Folhapress
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São Paulo - Aos 80 anos, Antonio Ernesto Donadio dedica pelo menos quatro horas por dia à gestão dos seus investimentos. E quase metade dos recursos aplicados (40%) está nas chamadas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).  “Aposentado é uma palavra tão feia... Trabalho em casa; estou ligado em tudo”, diz, sem revelar valores.

Embora ainda pouco conhecido dos pequenos poupadores - em geral, os bancos oferecem esses produtos a clientes de alta renda -, a demanda pelas LCAs tem crescido. Entre as vantagens desse tipo de papel estão a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas e não incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tanto para os investidores individuais quanto para os institucionais.

Esse incentivo faz com que o rendimento líquido possa superar o do CDB, sobre o qual é cobrado IR. Em geral, a rentabilidade das LCAs fica entre 93% e 105% do CDI, conforme o banco, o valor investido e o prazo.

O estoque desses papéis registrados na Cetip superou  R$ 17 bilhões em outubro de 2011, valor 31% maior que o verificado no fim de 2010. Na BM&FBovespa, chegou a R$ 6,2 bilhões no último mês de outubro, mais de 20 vezes o registrado no fechamento do ano passado.

Outro ponto favorável à LCA é que existe uma dupla garantia: a do banco, que emite o papel, e a da produção rural, que também está vinculada ao investimento.

Isso porque a LCA está lastreada em empréstimos feitos pela instituição financeira a produtores rurais - portanto, com a produção agropecuária e bens como garantia.

Mas é importante destacar que, nas LCAs, não há a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para investimentos no valor de até R$ 70 mil, como acontece na poupança, por exemplo.

“O potencial dos papéis ligados à produção agrícola é grande”, diz Fernando Pimentel, sócio diretor da consultoria Agrosecurity.

“Considerando a demanda global crescente por alimentos, como grãos, títulos relacionados ao setor rural não são mau negócio, independentemente de crise. As pessoas deixam de comprar carro, mas não comida.”

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