É impressionante a quantidade de gente que faz apologia do regime militar. Que tipo patológico de nostalgia será essa? Talvez não seja nostalgia, seja Alzheimer mesmo. Só pode ser! Como é que podem civis defendendo militares no poder? Isto é uma aporia ideológica. Pois o cidadão comum, dentro de um regime militar, é absolutamente passivo. Sem voz nem vez!
Pensemos na forma despótica como, historicamente, os militares chegaram ao poder. Tudo bem os pseudo-cidadãos terem preguiça de ir às urnas, em pleno domingo, para votar. Mas desejar que o governo se instaure a si próprio através de "golpes" é uma forma de cegueira sociológica inaceitável. Os militares sobem ao poder não apoiados na opinião popular, mas sim sobre suas próprias armas. É isso que esse pessoal nostálgico quer para o nosso país? Soberania estatal do fuzil?
Sem falar da violência praticada por militares depois que chegam ao poder. Ora, eles foram treinados para isso. Treinados para lutar, para guerrear, para matar. Militares não são treinados para ser políticos. Eles aprendem a usar armas e não o voto popular. Como pode, apesar de tudo isso, ter gente defendendo militares? Certamente se trata de nocivas opiniões irrefletidas.
Duas curiosidades. Primeira: quem escreve suas saudades do militarismo só escreve porque está vivo, porque sobreviveu ao regime, e por isso consegue falar, andar, escrever etc. Os que morreram naquela época bem que queriam, mas já não podem mais discursar em defesa da democracia.
Segunda curiosidade: esses nostálgicos que defendem o "regime de armas" normalmente usam os meios de comunicação para disseminar suas ideias reacionárias (jornais, internet, TV etc.), e só têm tal liberdade de dizer o que pensam na hora que pensam porque os militares não estão mais no poder! Isso é tão óbvio que chega a doer os ouvidos quando alguém diz. Mas infelizmente os "defensores de coronel" não sabem disso ainda.
Por fim, relembremos o aforismo militarista como prova de que no "regime fardado" o país não era do povo, mas dos líderes das forças armadas: "Brasil, ame-o ou deixe-o!". Quando há um homem armado no poder ? feito Hitler ?, se não tiver como assassinar os ?revolucionários de esquerda?, ele expulsa do país, como se a nação fosse o quintal de sua casa. Pergunte para a presidente Dilma Rousseff o motivo de ela ser de esquerda e contrária ao regime militar.
É absolutamente certo que ela não fará discursos ideológicos. Pragmática que é, ela citará os momentos em que foi torturada na época do sangrento militarismo brasileiro. Nesse sentido, paremos de especulação e ouçamos a historiadora da PUC quando diz: "A tortura física foi uma prática sistemática da ditadura [...]. A Anistia Internacional chegou a divulgar que, no Brasil, a tortura se tornou uma tendência generalizada no regime militar!" (Campos Azevedo, "História", 2008, pág. 470).
O autor, prof. Wellington Martins, é mestrando em Filosofia Política (PUC-SP) e formado em Filosofia (USC-Bauru) / am.wellington@hotmail.com