Li, respeitosamente, a sua conclusão no artigo do dia 11 passado sobre o meu texto "Para quem tem memória curta", publicado nesta Tribuna do último dia 6. Sem pretender polemizar, permito-me esclarecer: não defendi, como o senhor escreveu, o regime militar. Apenas transcrevi um artigo publicado por um grande jornalista brasileiro, que seria o jubilado Carlos Chagas, o que não consegui confirmar, apesar das minhas pesquisas. A intenção foi de apenas destacar aos políticos atuais o exemplo da dignidade, do caráter e da honra daqueles militares não se envolvendo em falcatruas, dolos e tretas buscando vantagens pessoais. Existiram, no regime, sérios problemas, sim, e não os questiono pelas verdades registradas no artigo do senhor, e que o endosso.
Observo que no quinto parágrafo do meu artigo, já nos comentários pessoais, cito o alvedrio de ir e vir como a "santa democracia". Nasci no ano 1926. Vivi os regimes por que passou este nosso Brasil nos últimos 85 anos. Hoje, com a minha idade, memória privilegiada, e experiências que o senhor provavelmente não tenha tido, posso me dar ao luxo de dizer que ainda me são vivas passagens da revolução de 32. Lembro-me de Getulio Vargas, seus comparsas e suas arbitrariedades. Dos generais e das suas disciplinas impostas à liberdade. Do cinto apertado, salvo - conduto, do medo de abrir a boca para falar do regime, da censura geral e torturas, e tantas outras determinações infligidas pela ditadura até o clamor popular das "diretas já"! Quanto aos apoiadores civis que o senhor mencionou Sarney e Maluf, por absurdo, continuam no poder elevados pelo eleitor brasileiro que desfruta do direito que lhe permite escolher.
Está nas urnas de quem é a culpa absoluta. E os filhos da mãe, infelizmente, continuarão sendo reeleitos... A corrupção contínua descarada na nossa política. Neste ano, e primeiro do novo governo, já afastados, se não me engano, sete ministros por corrupção ou tramóias, comprometendo a minha santa democracia protegida pela presidente Dilma a quem aplaudo com entusiasmo, mesmo sem ter sido seu eleitor.
Lamento vê-la cercada por astuciosos embusteiros que na maioria das vezes se safam das suas canalhices com sarcasmos, e os bolsos mais cheios com o dinheiro que é sacado dos rendimentos parcos da multidão dos assalariados brasileiros.
A democracia concede o direito de manifestações a qualquer cidadão. Mas a interpretação é uma questão absolutamente pessoal e intelectual. Cada um interpreta como lhe convém ou como supõe, às vezes cometendo equívocos. Obrigado e o meu abraço liberal senhor Luís Paulo Domingues por ter interpretado o meu artigo à sua maneira e seu direito que permanecem merecendo o meu respeito ao encerramento do assunto. Para o senhor e familiares, os meus sinceros votos de um Feliz Natal e um Ano Novo pródigo em surpresas agradáveis.
E agora, José, e agora Drummond, e agora, dr. Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira...!?
Munir Zalaf