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Brasil não crescerá 5% em 2012, dizem analistas de Nova York

Folhapress
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Nova York - Assim como o resto do mundo, o Brasil deve crescer menos em 2012 e seguirá vulnerável a uma eventual piora no cenário internacional, especialmente no que diz respeito à crise europeia, avaliam economistas entrevistados pela Agência Estado, em Nova York. Nem de longe eles imaginam a possibilidade de uma expansão de 5%, apregoada pelo Ministério da Fazenda recentemente. E o próprio governo sabe disso, acreditam esses economistas.


“Na cabeça da Dilma, o crescimento será de 3% em 2012”, afirma o diretor executivo e chefe para mercados emergentes do Nomura Securities, Tony Volpon, após visita recente à Brasília, onde teve conversas com fontes ligadas ao governo. Volpon espera que o PIB cresça 3,2% em 2012 e de 4,5% a 5%, em 2013. “5% pode ser que o Brasil consiga crescer em 2013”, acrescentou.


Volpon disse que o principal canal de transmissão de uma deterioração externa seria através dos preços das commodities e do impacto na balança comercial. Pelo lado do canal de crédito, o diretor está mais tranquilo. “O Brasil tem ferramentas para combate pelo lado do crédito”, disse


A Economist Intelligence Unit (EIU) deve revisar em breve o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 para algo entre 3% e 3,5%. “Acabou de fato esse triunfalismo que existia do Brasil crescendo forte, a um ritmo chinês”, afirma Robert Wood, analista sênior para América Latina da EIU em Nova York. “Essa meta de 5% é um pouco mais para animar o mercado”, disse.


Tanto o governo sabe que o Brasil perdeu o fôlego, que anunciou recentemente um pacote de medidas fiscais e novas medidas podem vir em 2012, caso seja necessário, ressaltam os economistas.


“O governo tinha que dar um sinal de que está atento à evolução da economia e que vai atuar. Eles estão esperando para fazer mais atuações, mas não queriam anunciar pacote muito forte para não dar a impressão de que estão muito preocupados. Foi um pacote para impedir dois trimestres de crescimento nulo, pois o mercado poderia começar a falar de recessão”, comentou Wood.


Para o 4º trimestre deste ano, Wood espera alta do PIB de 0,3% ou 0,4%. Já Volpon estima que o PIB deverá ficar de novo perto de 0%, repetindo o resultado fraco do 3º trimestre.


Wood estima que a Zona do Euro deve ter PIB negativo de 1,2% em 2012, de previsão anterior da EIU de queda de 0,4%. “É uma contração, mas não tão grande.


O cenário bem ruim seria com recessão ainda mais forte”, explicou. A China, por sua vez, deve desacelerar para ao redor de 8,2% no ano que vem e Woods não acredita que possa ficar abaixo de 8%, o que poderia significar riscos maiores para o Brasil, com redução na demanda chinesa por commodities.

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