Política

Bairros terão geladeira, mas não há data

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O programa Rede Comunidade, executado pela CPFL Paulista e lançado ainda em dezembro de 2009 vai atender às 2.400 famílias indicadas pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), mas a concessionária não se compromete com prazo para alcançar a meta anunciada juntamente com a prefeitura.

A garantia de que todas as 2.400 famílias indicadas pela prefeitura vão receber o que foi prometido foi dada pelo gerente de contas do Poder Público da concessionária, Luiz Antonio de Campos.

Um convênio foi assinado entre a CPFL e a Prefeitura de Bauru no final de 2009 e, ao longo de 2011, o programa efetuou apenas 502 trocas de geladeiras, 505 chuveiros e executou 596 reformas internas na rede elétrica em residências apontadas pelo poder público municipal.

Frustração

A população se frustrou com a expectativa gerada pelo anúncio do programa pela prefeitura. No entanto, Campos argumenta que o programa é contínuo e que todas as famílias indicadas, que fazem parte da lista do Cadastro Único do Governo Federal, serão atendidas pelo Rede Comunidade.

Ele ressalta também que, em 2011, 2 mil famílias foram visitadas, apesar de apenas 25% das substituições de geladeiras terem sido concretizadas. De seu lado, a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), através de Darlene Tendolo, se limitou a indicar a lista com os números de famílias a serem atendidas por região (ver quadro).

Na última sexta-feira, Darlene reconheceu que tinha apenas a lista dos indicados no programa. Mas, como a execução é da concessionária, a Sebes permaneceu passiva diante da demanda gerada.

A totalidade de atendimentos não deve ser alcançada em 2012, quando a CPFL deverá retomar o serviço a partir da contratação de uma nova empresa especializada em mobilização social. Campos ressalta que não há prazo para que isso aconteça, nem meta de substituição de geladeiras para o ano que vem.

A assessoria de imprensa da CPFL informou, em nota oficial, que a concessionária segue um cronograma para atender as cidades de sua área de concessão. Em conjunto com as prefeituras, são apontados bairros carentes a serem contemplados com as ações e a seleção dos clientes beneficiados é realizada por meio de um processo de diagnóstico.

Para receber os benefícios, os consumidores devem possuir o documento NIS (Número de Identificação Social) e estar com o pagamento de contas de energia em dia.

Já a substituição de aparelhos, como geladeiras e chuveiros, segue critérios técnicos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O órgão exige o investimento de, no mínimo, 0,5% do faturamento bruto anual das concessionárias de energia em programas de eficiência energética, que visam também regularizar as ligações em bairros carentes, trazendo novos consumidores para a empresa.

Nesse sentido, além das ações já citadas do Rede Comunidade, a CPFL desenvolveu, no município, a instalação de aquecedores solares no Núcleo Habitacional Bauru H e entregou, ontem, um reservatório de água com capacidade de 2 milhões de litros de água. Campos afirma ainda que a empresa vai atuar junto às 132 famílias do Jardim Ivone, atendidas pelo programa ?Minha Casa Minha Vida?. "Serão trocadas lâmpadas, geladeiras e chuveiros que apresentarem alto consumo de energia", pontuou. O Rede Comunidade também fez a substituição de 30 mil lâmpadas incandescentes por fluorescentes, que exigem menor consumo de energia.

O levantamento entregue pela Sebes à CPFL abrange 2.400 famílias de regiões vulneráveis em Bauru. Apesar do estudo, a CPFL e o poder público não têm tabulados o número de residências atendidas pelo Rede Comunidade em cada um desses bairros.

Segundo Luiz Antonio de Campos, existe apenas uma lista com nomes e endereços dos beneficiados, que não é divulgada.

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